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Cortes de Milei deixam argentinos sem comida e elevam a população sem moradia

Moradores de rua em Buenos Aires batem recorde com pelo menos 4,522 pessoas em maio; ONG diz que cortes de Milei agravam pobreza e geram protestos

Pensioners in Buenos Aires have been holding protests against Milei’s cuts every Wednesday outside congress.
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  • Austeridade iniciada em dezembro de dois mil e vinte e três pelo presidente Javier Milei gerou inflação alta, perda de empregos formais e aumento da pobreza, conforme a análise da crise social no país.
  • Com a vitória da coalizão La Libertad Avanza nas eleições de dois mil e vinte e cinco, Milei passou a ter a maior bancada no Congresso e sinaliza novos cortes que podem agravar a situação.
  • A taxa de pobreza chegou a superar cinquenta por cento, mas recuou para pouco mais de trinta por cento após mudanças metodológicas contestadas; em Buenos Aires, o número de pessoas nas ruas atingiu quatro mil quinhentos e vinte e dois em maio, alta de trinta e oito por cento desde novembro de dois mil e vinte e três. Organizações não governamentais, como Manos Abiertas, relatam pessoas buscando alimento em lixeiras.
  • O ajuste resultou na perda de duzentas mil vagas formais de trabalho e no fechamento de dezoito mil empresas; pensionistas e pessoas com deficiência protestam regularmente em frente ao Congresso.
  • Analistas alertam que a nova composição do Congresso pode facilitar cortes ainda mais severos, ampliando a falta de moradia e a pobreza nos próximos meses, em meio a manifestações de grupos vulneráveis.

A implementação do plano de austeridade do presidente argentino Javier Milei desde dezembro de 2023 tem gerado uma crise social profunda. As políticas de zero déficit resultaram em inflação elevada, perda de empregos e um aumento alarmante da pobreza. Com a recente eleição de 2025, Milei consolidou a maior bancada no Congresso, prometendo novos cortes que podem agravar ainda mais a situação.

Desde que Milei assumiu, a taxa de pobreza saltou para mais de 50%, embora tenha recuado para pouco mais de 30% devido a mudanças metodológicas contestadas. O número de pessoas vivendo nas ruas de Buenos Aires atingiu um recorde de pelo menos 4.522 em maio, um aumento de 38% em relação a novembro de 2023. Organizações não governamentais, como a Manos Abiertas, relatam que muitos estão se refugiando em lixeiras em busca de comida e abrigo.

Aumento da Crise Social

Com a vitória da La Libertad Avanza nas eleições, a expectativa é de que as políticas de austeridade se intensifiquem. Juan Nuñez, do Hogar de Cristo, afirma que “à medida que a crise se aprofunda, a pobreza e a falta de moradia aumentam”. A perda de 200.000 empregos formais e o fechamento de 18.000 empresas são reflexos diretos das medidas de Milei.

Os pensionistas e pessoas com deficiência estão entre os mais afetados. Cortes em benefícios e pensões têm gerado protestos frequentes em frente ao Congresso. Laura Alcaide, uma ativista com deficiência visual, destaca que muitos não têm o que comer e perderam suas pensões, enquanto Olga Beatriz González, uma pensionista de 89 anos, critica a administração de Milei, afirmando que o governo favorece os ricos.

Expectativas Futuras

Analistas temem que a situação se agrave com a nova composição do Congresso, que pode facilitar a aprovação de cortes ainda mais severos. Hernán Letcher, do Centro de Economia Política Argentina, prevê um aumento contínuo na falta de moradia e na pobreza. A pressão social se intensifica, com os grupos mais vulneráveis enfrentando as consequências mais duras das políticas de austeridade.

A situação em Buenos Aires reflete um país em crise, onde a luta por dignidade e sobrevivência se torna cada vez mais difícil. As manifestações contra as políticas de Milei são um sinal claro de descontentamento e uma luta por um futuro mais justo.

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