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ONU alerta que fome se espalha pelo Sudão

ONU/IPC declara fome em El Fasher e Kadugli (fase cinco) em setembro de 2025; 21,2 milhões com insegurança alimentar aguda, 375 mil em catástrofe até jan de 2026

Alejandra Agudo
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  • A ONU/IPC declarou, em setembro de 2025, a fase cinco de fome em El Fasher e Kadugli, com 21,2 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda e 375 mil em catástrofe; a crise deve persistir até janeiro de 2026.
  • Desde abril de 2023, o Sudão vive uma guerra civil violenta; 45% da população enfrenta altos níveis de insegurança alimentar.
  • Em El Fasher, a cidade foi tomada pelas Forças de Apoio Rápido em 29 de outubro, gerando novos deslocamentos e agravando o acesso a alimentos, água e serviços médicos.
  • Relatos de violência extrema incluem ataques a hospitais e morte de ao menos 460 pessoas; testemunhos descrevem a fuga de civis, como a de uma mulher de 40 anos chamada Alaa.
  • A organização alerta que, sem fim aos conflitos, a fome pode se espalhar; a previsão de melhora depende de colheitas, mas a violência continua a limitar os benefícios, ampliando o chamado à comunidade internacional.

A situação humanitária no Sudão se agrava a cada dia, com a ONU declarando, em setembro de 2025, a fase 5 de fome em El Fasher e Kadugli. Desde abril de 2023, o país enfrenta uma violenta guerra civil, resultando em 21,2 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda, sendo 375 mil em situação de catástrofe.

O relatório do IPC (Sistema de Classificação Integrada de Segurança Alimentar) revela que 45% da população sudanesa enfrenta altos níveis de insegurança alimentar. A previsão é de que essa crise persista até janeiro de 2026, com o agravamento do conflito ameaçando a segurança alimentar em outras áreas, especialmente em Darfur.

Crise em El Fasher e Kadugli

Em El Fasher, a situação é crítica. A cidade foi tomada pelas Forças de Apoio Rápido em 29 de outubro, resultando em novos deslocamentos e um aumento das necessidades humanitárias. O acesso a alimentos, água e cuidados médicos está severamente comprometido. Samy Guessabi, diretor de Ação contra o Hambre, descreve a situação como uma “hambruna silenciosa”, onde famílias sobrevivem com folhas e alimentos para animais.

Relatos de violência extrema têm surgido, com ataques a hospitais e atrocidades cometidas contra civis. Um ataque em El Fasher resultou na morte de ao menos 460 pessoas, e testemunhos de sobreviventes revelam a brutalidade enfrentada pela população. Alaa, uma mulher de 40 anos, narra como foi forçada a fugir após perder amigos e familiares para a violência.

Impacto na População

A crise humanitária é alarmante. Francesco Lanino, da Save the Children, destaca que crianças estão morrendo de fome e os hospitais estão fechando ou sendo destruídos. A insegurança e a violência tornam a fuga extremamente perigosa, exacerbando a situação de vulnerabilidade da população.

A ONU alerta que, sem um fim para os conflitos, a fome e a insegurança alimentar podem se espalhar ainda mais, afetando mais regiões no Sudão. As condições climáticas podem oferecer alguma melhora após a colheita, mas a violência continua a limitar os benefícios. A comunidade internacional é convocada a prestar atenção à catástrofe humanitária em curso.

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