- Os grupos jihadistas passaram por mudanças desde os atentados de Paris, em 15 de novembro de 2015; dez anos depois, as estruturas centrais estão consideravelmente enfraquecidas e com liderança menos conhecida, dificultando ataques diretos na Europa. A análise aponta para uma reconfiguração, com frentes locais mais ativas, segundo especialistas como Marc Hecker (Institut Français de Relations Internationales).
- Na África, frentes como JNIM (Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos) e ISWAP (Estado Islâmico na África Ocidental) hoje aparecem em ascensão, elevando o risco regional; estima-se que entre mil e mil e quinhentos jihadistas do EI atuem na África Ocidental, versus entre seis mil e sete mil na região.
- O JNIM, ligado à Al-Qaeda, amplia influência no Sahel e coloca em risco governos locais, incluindo o Mali.
- Na Europa, a ameaça persiste, com França frustrando nove atentados em 2024, ainda que cinco ataques tenham sido realizados; muitos perpetradores se radicalizam rapidamente pela internet, sem vínculos diretos com organizações.
- Globalmente, o EI no Khorasan atua no Afeganistão e Paquistão, tendo ataques relevantes como o de março de 2024 em Moscou; contudo, a atuação é limitada pela pressão dos talibãs e por operações contra combatentes.
As organizações jihadistas, como o Estado Islâmico (EI) e a Al-Qaeda, passaram por uma transformação significativa desde os atentados de Paris, ocorridos em 15 de novembro de 2015. Dez anos depois, suas estruturas centrais estão consideravelmente enfraquecidas, com líderes menos conhecidos e menos capacidade de planejar ataques diretamente na Europa. A análise de especialistas, como Marc Hecker, do Institut Français de Relations Internationales, aponta para uma reconfiguração do jihadismo, com frentes locais se tornando mais ativas.
Atualmente, grupos como o JNIM (Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos) e o ISWAP (Estado Islâmico na África Ocidental) estão em ascensão, especialmente na África. Estima-se que entre 6.000 e 7.000 jihadistas do EI atuem na África Ocidental, comparado a apenas 1.000 a 1.500 na Síria. O JNIM, ligado à Al-Qaeda, está expandindo sua influência no Sahel, colocando em risco a estabilidade de governos locais, como o do Mali.
Ameaça Persistente na Europa
Embora a presença das centrais jihadistas tenha diminuído, a ameaça na Europa permanece. Em 2024, a França conseguiu frustrar nove atentados jihadistas, mas ainda assim cinco ataques foram realizados. O procurador antiterrorista francês, Olivier Christen, destaca que muitos dos perpetradores são indivíduos que se radicalizam rapidamente por meio da internet, sem necessariamente ter vínculos diretos com organizações terroristas.
Jihadismo em Outras Regiões
No contexto global, o Estado Islâmico no Khorasan, ativo no Afeganistão e Paquistão, tem se mostrado uma das filiais mais ativas, sendo responsável por ataques significativos, como o ocorrido em março de 2024 em Moscovo. Apesar disso, sua capacidade de ação vem sendo reduzida devido à pressão dos talibãs e operações bem-sucedidas contra seus combatentes.
A dinâmica do jihadismo continua a evoluir, com novas frentes de combate surgindo e a radicalização online se tornando uma preocupação crescente nas sociedades ocidentais. O objetivo estratégico de ambos os grupos jihadistas, de estabelecer um califado global, permanece inalterado, mesmo com a mudança nas táticas e na estrutura de comando.
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