- Dados da 4ª edição do Cartografias da Violência na Amazônia, divulgada em 19 de novembro de 2025, indicam o surgimento de minicracolândias na tríplice fronteira Tabatinga e Benjamin Constant, com uso de óxi mais potente que crack, atingindo comunidades indígenas.
- O estudo aponta dezoito facções ativas na região, incluindo grupos estrangeiros, com maior foco no varejo de drogas.
- Não apenas o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital já controlavam parte da Amazônia; agora, mais de um quarto das cidades da Amazônia Legal estão sob domínio do CV, beneficiando-se de rotas de tráfico internacional.
- O gerente de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques, destacou a gravidade especialmente nas comunidades indígenas situadas em áreas periurbanas, afirmando que o impacto é devastador.
- As minicracolândias e o uso de óxi elevam a sensação de insegurança, afetando a saúde e o bem-estar das comunidades; a pesquisa, realizada com Mãe Crioula e Clima e Sociedade, ressalta a urgência de medidas públicas.
O avanço do crime organizado na Amazônia Legal tem gerado consequências alarmantes, especialmente para comunidades indígenas. Segundo a 4ª edição do Cartografias da Violência na Amazônia, divulgada em 19 de novembro de 2025, o uso de óxi, uma droga mais potente que o crack, está se espalhando na região, com o surgimento de minicracolândias em áreas como Tabatinga e Benjamin Constant, na tríplice fronteira com Peru e Colômbia.
Estudos anteriores já indicavam a presença de facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que controlam parte significativa da Amazônia. No entanto, a nova pesquisa revela que 17 facções estão ativas na região, incluindo grupos estrangeiros. O foco do tráfico se intensificou, com um aumento no varejo de drogas, afetando diretamente a segurança das comunidades locais.
David Marques, gerente de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destacou que o problema é especialmente grave nas comunidades indígenas, que vivem em regiões periurbanas. “Essa situação não havia sido documentada dessa forma antes, e o impacto é devastador”, afirmou Marques. O estudo ressalta que mais de um quarto das cidades da Amazônia Legal está sob domínio do CV, que se beneficia da proximidade com rotas de tráfico internacional.
Impactos nas Comunidades
As minicracolândias, descritas como um fenômeno recente, estão elevando a sensação de insegurança entre os moradores do Alto Solimões. O uso do óxi, considerado um produto residual da preparação da cocaína, é uma das razões para essa escalada da violência. Uma autoridade local relatou que, embora a cocaína seja acessível, muitos optam por essa forma mais barata e perigosa da droga.
O estudo do Cartografias da Violência na Amazônia, realizado em parceria com instituições como Mãe Crioula e Clima e Sociedade, evidencia a urgência em abordar a questão do tráfico de drogas na região, que não só compromete a segurança pública, mas também afeta a saúde e o bem-estar das comunidades indígenas. As novas dinâmicas do tráfico revelam um cenário preocupante que demanda atenção imediata das autoridades.
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