- O museu Pole Bitvy, descrito por um oficial russo como “símbolo da libertação da cidade dos nazistas”, abriu em Mariupol em 29 de novembro.
- A cidade está sob controle russo desde 2022, após um cerco prolongado, e o espaço é apresentado pela mídia estatal como “instalação de arte interativa” com exibições pró-invasão.
- O projeto contou com apoio do Partido Rússia Unida; Sergei Ladochkin liderou o museu, que fica no prédio de um antigo polo de inovação ligado a Zelenski.
- As exposições incluem galeria de fotos de soldados da invasão, seção dedicada às “crianças de Donbas” e cartas de esposas e mães de participantes da operação militar.
- Autoridades ucranianas afirmam que a ação é parte de uma agressão cultural para apagar a identidade ucraniana; especialistas questionam o uso do espaço para propaganda de guerra.
O novo museu Pole Bitvy, em Mariupol, foi aberto com apoio russo e é descrito pela autoridade local como símbolo da libertação da cidade. A cerimônia de entrega ocorreu em 29 de novembro, com exibições que incluem referências à invasão em curso.
As autoridades russas afirmam que o espaço serve de vitrine de “arte interativa” e celebra a atuação militar. O projeto ganhou suporte do partido governante e inclui áreas temáticas dedicadas a soldados da ofensiva e ao que denominam “filhos de Donbas” afetados pelo conflito.
Vladimir Yakushev, senador russo, participou da cerimônia e afirmou que nazismo existe tanto na história quanto hoje. Ele foi acompanhado por Sergei Ladochkin, da Câmara Cívica, que liderou o projeto museológico, segundo agência Tass.
Segundo a agência, a obra foi restaurada em conjunto com a United Russia e ocupa o antigo polo de inovação da cidade. A exposição afirma homenagear a vitória soviética na Segunda Guerra Mundial e a atual ofensiva russa.
O espaço expõe mais de dez áreas temáticas, incluindo uma galeria de fotos com foco nos militares da invasão e um módulo dedicado às vítimas civis. Também contaria com cartas de familiares de soldados, segundo relatos de Tass.
A crítica chegou de autoridades ucranianas. Petro Andryushchenko, ex-assessor da prefeitura de Mariupol, vê o museu como ferramenta de agressão cultural para apagar a identidade ucraniana, destacando o sofrimento na cidade durante o cerco.
Entre fevereiro e maio de 2022, Mariupol teve queda estimada de mortos entre 8 mil e dezenas de milhares. Kiev afirma que a narrativa cultural é parte de uma estratégia de controle sobre o território ocupado.
Controvérsia cultural e reactivações
Autoridades locais ucranianas afirmam que a instituição cultural funciona como propaganda de ocupação. Críticos destacam o uso de espaços públicos para legitimar avanços militares.
Contexto histórico do conflito
O Museu já se soma a iniciativas recentes na cidade, como a inauguração de memoriais ligados a figuras históricas associadas ao regime soviético. Observadores veem as ações como parte de uma disputa de narrativas na região.
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