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Narcotraficantes tomam conta das Ilhas Virgens Britânicas, aponta reportagem

Prisão do premier Fahie em operação da DEA expõe corrupção na BVI, levando à comissão de inquérito e à intervenção britânica na governança

Augustus Jaspert, former governor of the British Virgin Islands.
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  • A crise de governança nas Ilhas Virgens Britânicas envolvia furacões, fraudes e nepotismo, com tensão entre o governador e o premier, além de debates sobre contratos públicos e reformas constitucionais.
  • Entre 2020 e 2022 surgiram casos de tráfico de cocaína e corrupção investigados por uma comissão de inquérito, com revelações sobre acordos, contratos controversos e intervenção britânica.
  • Em novembro de 2020 houve a maior apreensão de cocaína da história da região (aproximadamente 2,4 toneladas), levaram Fahie a enfrentar acusações e motivaram a formação da comissão de inquiry.
  • Em abril de 2022, o premier Fahie foi preso em Miami pela DEA após operar com um informante; Maynard, chefe da autoridade portuária, também esteve envolvida, com pagamentos de propina de centenas de milhares de dólares.
  • O relatório final da comissão de inquérito apontou falhas na governança, indicou necessidade de reformas e revelou detalhadamente o esquema de corrupção e as relações com o tráfico de drogas.

O governo das Ilhas Virgens Britânicas enfrentou uma década de tensões entre o governador e o premier, com acusações de fraudes, nepotismo e pouca accountability. A relação tensa entre Jaspert e Fahie já era tema de auditorias, contratos públicos e reformas constitucionais.

Entre 2020 e 2022, surgiram investigações de tráfico de cocaína e corrupção conduzidas por uma comissão de inquérito. O caso ganhou contornos internacionais com a prisão do premier Fahie, em Miami, após operação da DEA em parceria com informantes.

A crise teve como pano de fundo o impacto de furacões na região, que expuseram falhas na reconstrução e na fiscalização de contratos. A população viu o governo local enfrentar dificuldades em distribuir água, comida e abrigo aos desabrigados.

A investigação revelou acordos e contratos controversos, além de uma intervenção britânica na governança local. A comissão de inquérito ouviu evidências sobre corrupção, nepotismo e obstrução de auditorias, apontando falhas estruturais.

O caso começou a ganhar evidência pública com a apreensão de 2,4 toneladas de cocaína em Tortola, em novembro de 2020, supostamente com envolvimento de policiais. A magnitude da operação elevou o clamor por reformas institucionais.

Roberto Quintero, ligado ao tráfico, apareceu em Tortola em outubro de 2021 e revelou contatos com a rede criminosa. Ele se reuniu, em março de 2022, com Oleanvine Maynard, chefe da autoridade portuária local, no Caribe.

Segundo depoimentos, o esquema previa envio de cocaína previamente refinada para Tortola, com passagem pela região até Porto Rico e venda nos EUA. Fahie seria beneficiado com comissões que poderiam chegar a milhões de dólares.

Em Miami, em abril de 2022, Fahie recebeu US$ 700 mil em dinheiro, parte como propina para participação no esquema. Peritos da DEA, disfarçados, rastrearam as conversas; Fahie foi preso assim que deixou o avião. Maynard e o filho também foram detidos.

A operação revelou ainda ligações entre o governo local e figuras do narcotráfico, com o objetivo de blindar negócios ilícitos e contornar controles. O caso gerou choque entre moradores, que esperavam apurações independentes e justa resposta institucional.

O governo recorrou a assessoria jurídica externa, contratando a firma Withers, liderada por Geoffrey Cox, ex-procurador-geral do Reino Unido, em meio a críticas sobre custos e conflitos de interesse. A comissão realizou 55 audiências ao longo de seis meses.

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