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Confrontos na fronteira Camboja-Tailândia deixam meio milhão de deslocados

Confrontos fronteiriços entre Tailândia e Camboja recomeçam, com mais de 500 mil deslocados e ao menos 11 mortos, enquanto diplomacia busca reduzir o conflito

Moradores deslocados descansam enquanto se abrigam em um centro de evacuação durante confrontos ao longo da fronteira entre a Tailândia e o Camboja, na província tailandesa de Sa Kaeo, em 10 de dezembro de 2025. Foto: Lillian SUWANRUMPHA / AFP
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  • Confrontos na fronteira entre Tailândia e Camboja recomeçaram, com tiros de artilharia atingindo áreas próximas a templos na zona disputada.
  • Mais de quinhentas mil pessoas foram forçadas a sair de casa e buscar abrigo, sendo cerca de quatrocentas mil na Tailândia e mais de cem mil no Camboja.
  • Oito civis morreram até agora em Camboja, com vinte feridos; na Tailândia, quatro soldados foram mortos.
  • Cerca de 20.015 famílias (101.229 pessoas) foram encaminhadas a abrigos ou a casas de parentes em cinco províncias.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ligaria para os líderes dos dois países para tentar conter o conflito; a ONU e a União Europeia pedem moderação.

Mais de 500 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas e buscar abrigo seguro após confrontos na fronteira entre Tailândia e Camboja. Ao todo, são pelo menos 11 mortos até o momento, segundo autoridades dos dois países.

A maioria dos deslocados ocorreu na Tailândia, com mais de 400 mil pessoas alojadas em abrigos distribuídos por sete províncias, segundo o Ministério da Defesa do país. No Camboja, o registro aponta mais de 100 mil deslocados.

Ao todo, 20.015 famílias, ou 101.229 pessoas, foram levadas a abrigos ou a casas de parentes em cinco províncias do Camboja até a noite de terça-feira, informou a porta-voz do Ministério da Defesa. O mesmo balanço aponta 7 civis mortos e 20 feridos no Camboja.

No lado tailandês, o Exército confirmou a morte de 4 soldados em linhas de frente. Correspondentes da AFP relataram tiros de artilharia direcionados a áreas próximas a templos na zona fronteiriça.

A disputa envolve fronteiras de aproximadamente 800 km traçadas no período colonial e envolve reivindicações sobre templos antigos na região. As nações já registraram combates em julho, com dezenas de mortos e grande fluxo de deslocados, antes de um cessar-fogo assinado no fim de outubro.

O cessar-fogo, impulsionado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, foi suspenso pela Tailândia após a explosão de uma mina terrestre que feriu soldados. Em meio ao novo episó­dio, Trump informou que telefonaria aos líderes dos dois países para tentar reduzir o conflito.

A União Europeia pediu moderação, enquanto a ONU, por meio de Antonio Guterres, pediu renovação do compromisso com o cessar-fogo. Autoridades destacam a necessidade de evitar escalada e retomar canais diplomáticos.

Pessoas na região relatam temor constante e deslocamentos em massa. Poan Hay, cambojana de 55 anos, contou à imprensa sobre a fuga com a família, diante dos disparos. Em Surin, Tailândia, a comerciante Sutida Pusa disse que já houve períodos de tensão, mas que busca informações confiáveis antes de decidir permanecer ou sair.

Especialistas apontam que a tensão persiste até que haja confirmação de redução de hostilidades e retomada de mecanismos de diálogo. Mantêm-se, porém, incertezas sobre prazos para retorno de civis e normalização de serviços básicos em áreas afetadas.

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