- Despejos chegaram a Atouf, com avisos afixados em casas, estufas e poços; sete dias para deixar o terreno, enquanto uma estrada militar e um muro devem atravessar a área.
- A semana revelou que os avisos abrem caminho para a barreira de 5,5 bilhões de shekels, prevista para ter 300 milhas de extensão, conectando o Golan ao Mar Vermelho.
- O plano, batizado de Crimson Thread pela defesa israelense, pretende redesenhar o mapa da Cisjordânia ao dividir comunidades palestinas ao longo do corredor.
- Organizações de direitos humanos destacam que o principal objetivo seria tomada de terras para assentamentos, enquanto autoridades israelenses citam motivos de segurança.
- Tendências de expansão de assentamentos são evidenciadas por licitações para mais de 5.600 unidades habitacionais neste ano, registro histórico segundo o grupo Peace Now.
O vilarejo de Atouf, no sopé oeste do vale do Jordão, recebeu nesta semana uma série de avisos de despejo afixados em casas, estufas e poços. Os avisos informam a desapropriação de terras e dão sete dias para desocupação, simultaneamente à construção de uma via militar e de uma barreira no local. A prefeitura local pretende recorrer judicialmente, mas há histórico de desfeitos legais na região.
A medida faz parte de um desenho maior. Avanços apontam para uma nova fronteira que redesenhará o mapa da Cisjordânia, com planos de uma barreira de 5,5 bilhões de shekels. O projeto, chamado Crimson Thread pela defesa israelense, deve terminar em uma barreira de aproximadamente 300 milhas, do norte ao sul da Cisjordânia.
A divulgação dos avisos coincidiu com um anúncio oficial de que a barreira inicial em Atouf é a primeira etapa desse investimento. Especialistas afirmam que o objetivo real inclui tomada de terras e reorganização de comunidades palestinas, sob a justificativa de segurança.
Novo avanço territorial e contexto
O valor do projeto Crimson Thread é estimado em 5,5 bilhões de shekels. A Defesa de Israel descreve a obra como necessária para fortalecer a fronteira leste e reduzir riscos de violência. Organizações de direitos humanos veem como ferramenta de redefinição demográfica da região.
Segundo moradores de Atouf, terras férteis na área serão cortadas pelo traçado da via e da barreira. A estimativa é que até 40 famílias percam acesso à água e à maior parte de suas terras, com perdas relevantes para a produção de uvas, pimentos, tomates e outros cultivos.
A operadora da terra, Abudllah Bsharat, afirma que as famílias possuem títulos de propriedade. O líder do conselho da vila disse que as autoridades israelenses indicaram uma faixa de 50 metros da barreira, com exclusão de moradias e trabalhos agrícolas em 200 metros de cada lado, embora não haja confirmação oficial.
Em Atouf, trabalhadores já sinalizam movimentação de gado diante da ameaça de despejo. A maioria das terras fica a leste da nova via, dependente de condutas de água vindas de encostas a oeste, que podem ser interrompidas pela intervenção.
Outras zonas da Cisjordânia vivem com crescimento acelerado de assentamentos. Segundo o grupo Peace Now, este ano houve licitações para mais de 5.600 unidades habitacionais, recorde histórico e 50% acima de 2018. Existem assentamentos formais e ocupações informais, apoiadas por forças militares e políticas, com participação de membros de partidos de linha-dura no governo.
Líderes locais apontam que a remoção de áreas produtivas pode afetar a economia local e a subsistência de famílias em Atouf. A área é conhecida pela produção agrícola tradicional, com diversas culturas presentes no entorno da vila.
O governo israelense sustenta que a barreira visa fortalecer a segurança e evitar atividades criminosas na região oriental. Autoridades destacam que o projeto faz parte de uma estratégia maior de proteção fronteiriça, com uso de tecnologia, radares e sensores.
O caso de Atouf também envolve disputas legais prolongadas. Advogados da municipalidade apresentaram recurso, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. A comunidade reitera que a terra tem valor histórico e econômico expressivo para seus moradores.
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