- Governo teme recuo da União Europeia perto da assinatura prevista para sábado, 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu.
- A assinatura depende de duas votações, no Parlamento Europeu e no Conselho Europeu, entre 16 e 18 de dezembro; sem acordo, pode acabar as negociações.
- Itália é apontada como peso-chave; se se opuser ao lado de França e Polônia, pode inviabilizar a aprovação do acordo.
- Salvaguardas agrícolas foram aprovadas pelo Comitê de Comércio da União Europeia e precisam de votação no Parlamento Europeu.
- Caso haja fracasso, Brasil promete buscar parceiros comerciais na Ásia; em 2025, a China já comprou US$ 94 bilhões em produtos brasileiros.
O governo brasileiro acompanha há décadas as negociações do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, com assinatura prevista na cúpula de Foz do Iguaçu. A conclusão depende de aprovações no Parlamento Europeu e no Conselho Europeu.
As votações estão marcadas entre 16 e 18 de dezembro, sendo decisivas para o destino do acordo, que foi iniciado em 1999 e envolve reduções mútuas de tarifas.
Se não houver acordo nesta rodada, fontes próximas às negociações sugerem que pode ocorrer o fim das tratativas. Nesse cenário, o Brasil sinaliza a intensificação de contatos com parceiros na Ásia para compensar a perda de acesso ao mercado europeu.
O acordo prevê a criação de uma grande área de livre-comércio, com 718 milhões de pessoas e um PIB de cerca de 22 trilhões de dólares, caso entre em vigor após as etapas formais.
Mudanças na posição italiana e cenários
Diplomatas apontam a Itália como fiel da balança, com influência para aprovar ou rejeitar o texto. A negativa italiana, somada a relatos de resistência da França e da Polônia, poderia inviabilizar a aprovação no bloco, dada a necessidade de apoio de 15 Estados-membros, que representem 65% da população.
Na semana passada, houve indicações de apoio italiano à aprovação, mas o clima permanece cauteloso entre os demais parceiros europeus. Salvaguardas agrícolas foram criadas para evitar impactos desproporcionais aos produtores europeus, recebendo avaliação do Parlamento na sequência.
Contexto e cenário na UE
França e Polônia são os principais opositores, citando riscos aos agricultores e à competição com produtos sul-americanos. Alemanha, Espanha, Portugal e República Checa apoiam o acordo, enquanto Bélgica e Áustria também mostraram reservas. O mecanismo de salvaguardas pode suspender vantagens tarifárias se o volume de exportações subir 5% ante o ano anterior.
A aprovação europeia depende de dois votos: Parlamento Europeu, por maioria simples, e Conselho Europeu, por maioria qualificada. Enquanto o Parlamento tende a facilitar a ratificação, o Conselho exige apoio de pelo menos 65% da população da UE.
Perspectivas e impactos
Caso o acordo não avance, analistas apontam consequências para o comércio bilateral e para o Brasil, maior economia do Mercosul. O Brasil estuda ampliar parcerias na Ásia, com a China já registrando compras significativas de produtos brasileiros em 2025, estimadas em 94 bilhões de dólares.
A avaliação interna é de que o momento é decisivo para o futuro do tratado e para o alinhamento estratégico entre as duas regiões. A cúpula de Foz do Iguaçu deve consolidar ou não o acordo, conforme as votações europeias.
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