- O presidente da Cooperativas U, Dominique Schelcher, afirmou que não comprará produtos sul‑americanos caso o acordo entre a União Europeia e o Mercosul entre em vigor, privilegiando produtos franceses quando houver disponibilidade no mercado.
- As declarações ocorrem em meio a impasse entre Bruxelas e Paris sobre o tratado, que a União Europeia pretende assinar com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai; o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas para limitar impactos aos agricultores, para facilitar a votação final.
- O texto do acordo permite maior entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul‑americanos na UE, enquanto facilita exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e destilados, gerando preocupações no setor agrícola.
- O Senado francês aprovou resolução para solicitar à Corte de Justiça da União Europeia que barre o acordo; o governo disse que não é necessário nem urgente acionar a CJUE.
- A França pediu o adiamento da assinatura do pacto, com pressão de setores políticos para bloquear ou postergar a assinatura, e outras vozes parlamentares pedem rejeição ou demora.
O presidente das Cooperativas U, quarta maior rede de supermercados da França, anunciou que pretende boicotar produtos sul-americanos caso o acordo entre a União Europeia e o Mercosul entre em vigor. A declaração ocorre em meio ao impasse entre Bruxelas e Paris sobre o tratado de livre-comércio com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que a Comissão Europeia busca assinar no fim desta semana. Schelcher afirmou que não comprará esses produtos se houver opções francesas no mercado.
A direção da Cooperativas U criticou a suposta concorrência desleal, destacando que exigências normativas pesadas para produtores locais não devem ser acompanhadas pela entrada de produtos com menos restrições. O CEO ressaltou a necessidade de proteger agricultores e a economia francesa, orientando consumidores a priorizarem produtos nacionais, especialmente na temporada de festas.
Avanços e resistência ao acordo
Parlamento Europeu aprovou medidas de salvaguarda para reduzir impactos sobre os agricultores da UE, o que pode facilitar a votação do texto final pelos chefes de Estado e governo. No entanto, França e Itália manifestam resistência ao tratado, enquanto a Alemanha tem demonstrado apoio à assinatura.
Nesta terça, o Senado francês aprovou uma resolução não vinculativa pedindo que o governo acione a Corte de Justiça da União Europeia para barrar o acordo com o Mercosul. O governo diz que não vê necessidade imediata de levar o caso à CJUE, mas admite manter opções se houver avanços concretos.
Reação e contexto político
O conflito envolve críticas de setores agrícolas franceses e de parte da oposição, que defendem a proteção do setor produtivo nacional. Na França, diferentes formações políticas pressionam pela suspensão ou renegociação do acordo, citando riscos à soberania econômica e à produção local. A equipe governamental segue avaliando estratégias diante do debate europeu.
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