- Ministros de Bangladesh, Paquistão e China discutem a formação de um eixo tríplice Bangladesh–China–Paquistão para contornar a SAARC, com possibilidade de excluir a Índia.
- A ideia ganhou força após um encontro trilateral em Kunming, na China, em junho, indicando avanço na criação de um bloco regional.
- SAARC, criada em 1985 para cooperação regional, está praticamente desacreditada, com a última cúpula realizada em 2014 e funcionamento fragilizado desde então.
- Relações da Índia com Bangladesh e China pioraram nos últimos anos; ataques de grupos baseados no Paquistão e o conflito de maio contribuíram para o impasse regional.
- Um bloco Bangladeque–Chinês–Paquistanês poderia aumentar a influência de Pequim na região e marginalizar a Índia, elevando incertezas sobre o futuro da SAARC e a coesão regional.
Ministros de Bangladesh, Paquistão e China discutem a criação de um eixo trilateral que poderia contornar a SAARC, em evidência após encontro em Dhaka neste mês. A proposta, já discutida anteriormente em Kunming, busca consolidar laços sem a participação da Índia.
Segundo informações apresentadas durante a visita em Dhaka, o objetivo é formar um bloco regional liderado por Bangladesh, China e Paquistão. Caso haja adesão, o grupo poderia reduzir a relevância da SAARC, já enfraquecida há anos.
A SAARC foi criada em 1985 para promover cooperação regional entre Bangladesh, Índia, Paquistão, Sri Lanka, Nepal, Bhutan, Maldivas e Sri Lanka; Afeganistão ingressou em 2007. Índia, no entanto, sempre demonstrou ceticismo quanto a esse formato.
A aspiração de um eixo alternativo surge em meio a deterioração das relações Índia-Paquistão e tensões entre Índia, Bangladesh e China. Três países teriam sinalizado interesse em facilitar uma cooperação econômica, energética e de conectividade.
Analistas destacam que, embora haja interesse no novo bloco, a viabilidade é incerta. Outros estados do sul da Ásia poderiam hesitar em abandonar a SAARC, cuja institucionalidade já mostrou limitações para a agenda regional.
A Índia não é colocada automaticamente de fora no debate, mas as sinalizações indicam que o eixo Bangladesh-China-Paquistão pode buscar maior autonomia regional. Demais países vizinhos manteriam vínculos com Nova Délhi por razões estratégicas e econômicas.
Especialistas ressaltam que a dinamização de blocos regionais pode redefinir a geopolítica sul-asiática. Em jogo está a influência de China e Paquistão versus a liderança histórica da Índia na região. A evolução dependerá de adesões e de garantias de cooperação.
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