- Em 30 de setembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que cria uma Força de Combate a Gangues no Haiti, com operações financiadas por contribuições voluntárias.
- A missão não usará tropas da ONU nem fundos obrigatórios; o suporte logístico e operacional fica a cargo de recursos voluntários.
- A iniciativa surge após a dissolução da Agência dos EUA para o Desenvolvimento (USAID) e diante do colapso de governança, com milícias controlando áreas-chave.
- Dois desafios centrais: captar recursos voluntários para manter a força e estabelecer um governo de transição credível para gerir reformas.
- Países do Sul Global já sinalizaram apoio, com promessas de envio de forças; o Canadá contributou com sessenta milhões de dólares, entre outros exemplos de cooperação internacional.
O governo dos Estados Unidos apresentou uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para estabelecer uma Força de Suppressão de Gangues no Haiti. A iniciativa, patrocinada pelos EUA, avançou com o apoio de China e Rússia, que mantiveram seus vetos para viabilizar a medida. O texto será financiado por contribuições voluntárias.
Essa resposta surge em meio a uma crise de governança no Haiti, após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021. Desde então, não houve presidente ou Legislativo eleitos; o poder é exercido por um Conselho Presidencial de Transição, criado em 2024.
O país enfrenta perda de controle territorial, com gangues dominando vias de transporte e Port-au-Prince. Houve aumentos de sequestros, extorsões e assassinatos, agravando deslocamentos internos e a insegurança generalizada.
Contexto institucional e financiamento
Na Assembleia Geral da OEA, em junho, o EUA pressionou a instituição a apresentar respostas ao Haiti, condicionando parte de seu financiamento. Em agosto, a OEA apresentou um roteiro que pouco tratou da prioridade central de segurança.
O Conselho de Segurança aprovou, em 30 de setembro, a resolução que cria a Gang Suppression Force no Haiti, com operações financiadas por contribuições voluntárias. Não haverá uso de recursos das quotas da ONU nem envio de tropas de casco azul.
Desafios e próximos passos
A dissolução da USAID levanta a questão de quem sustentará programas de longo prazo de combate à criminalidade e à instabilidade. A atuação será mais voltada a apoio técnico, logístico e material, com foco em segurança.
A liderança multilateral deve buscar financiamentos para além da components de segurança, incluindo desenvolvimento social, saúde e educação. Países como Brasil, Canadá e EUA têm papel crucial na coordenação de recursos não militares.
Perspectivas de participação internacional
Em Nova York, países contribuíram com forças de segurança para somar às já existentes na região. O esforço global, com a participação do Sul Global, poderá chegar a cerca de 5.500 operadores de segurança no Haiti.
Contribuições financeiras significativas já foram anunciadas, como os US$ 60 milhões do Canadá anunciados em setembro. Se outros governos seguirem, a resposta haitiana pode se tornar um modelo de intervenção multilateral.
Observação final
A dinâmica entre apoio técnico e recursos de desenvolvimento será determinante para o sucesso ou falha da missão, que pretende oferecer uma solução temporária enquanto se busca uma transição política estável.
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