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Como o discurso de ódio influencia o voto

Especialista alerta que a polarização de identidade nacional molda políticas migratórias, com queda de estudantes internacionais e mudanças no visto H-1B

O segundo governo Trump tem sido muito mais agressivo com os imigrantes, constata Selee – Imagem: Adam Gray/AFP e Acervo Pessoal
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  • Andrew Selee afirma que migração revela disputas de identidade e impactos econômicos, com fluxos semelhantes em EUA, Europa e América Latina.
  • Nos EUA, a cooperação entre ICE e autoridades locais continua central para deportações; cidades que não cooperam dificultam ações federais.
  • Trump seria mais agressivo na imigração, mirando não apenas imigrantes ilegais, mas também pessoas com status legal; a questão passa a ser quem “merece” ficar.
  • Há queda de cerca de 20% no número de estudantes internacionais; o governo deseja mudar o visto H-1B, com taxa de 100 mil dólares.
  • O Brasil é citado como modelo de gestão migratória, com políticas estáveis; para migração climática, são sugeridas ações combinadas para reduzir impactos e manter fluxos ordenados.

O estudo de Andrew Dan Selee, presidente do Migration Policy Institute, analisa como a imigração se tornar uma disputa de identidade e de economia. O trabalho destaca que as mesmas forças mobilizam EUA, Europa e, em menor grau, a América Latina, com impactos diferentes conforme o contexto.

A entrevista aponta que o endurecimento migratório varia conforme o país. Nos EUA e na Europa, o tema envolve identidade, controle de fronteiras e impactos econômicos, com respostas políticas distintas entre governos. Na América Latina, a discussão é mais pragmática, mas cresce a tensão entre fluxos e gestão.

Segundo Selee, a cooperação entre ICE e autoridades locais é crucial para deportações nos EUA. Cidades e estados com governos democratas costumam limitar essa cooperação, levando o governo federal a ampliar a atuação de agentes federais para compensar.

O pesquisador afirma que Trump tem adotado postura mais agressiva na imigração, ampliando ações contra migrantes com ou sem status irregular. Tornou-se central a discussão sobre quem “merece” ficar, em vez de apenas quem entra no país.

Entre os indicadores recentes, a queda de cerca de 20% no número de estudantes internacionais e a proposta de reformar o visto H-1B, com cobrança de taxa alta, sinalizam mudanças tangíveis no cenário migratório dos EUA. A agenda foca em identidade e estabilidade econômica.

Brasil como modelo e políticas climáticas

Selee elogia o Brasil pela gestão migratória estável e organizada, destacando a distribuição de migrantes por regiões com oportunidades de trabalho. O Brasil é visto como exemplo na América Latina, com políticas que privilegiam a migração regular e a integração.

Sobre migração climática, o pesquisador aponta duas dimensões: respostas a desastres imediatos e estratégias de longo prazo em regiões vulneráveis. Não há solução única; a combinação de ações para manter estabilidade regional é essencial para evitar novas crises.

Tendências globais e impactos regionais

No curto prazo, destaca-se o equilíbrio entre envelhecimento demográfico e abertura a migrantes. A previsível politização do tema pode aumentar conflitos em diferentes países. A Europa tenta mesclar canais legais com contenção de fluxos irregulars.

Selee recomenda que países acompanhem opinião pública, mantenham canais legais abertos e ajustem políticas conforme a demanda por trabalho. A atuação coordenada entre governos, sociedade civil e setor privado é crucial para resultados estáveis.

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