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Plano dos EUA para estudo com vacina de hepatite B na África, US$1,6 mi, é antiético

EUA financiarão estudo de $1,6 milhão sobre dose ao nascer da hepatite B em Guiné-Bissau, alvo de críticas éticas e de neocolonialismo na saúde global

A hepatitis B vaccine in Atlanta, Georgia, on 29 September 2023.
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  • O governo dos Estados Unidos planeja financiar um estudo de $ 1,6 milhão sobre vacinação contra hepatite B em newborns em Guiné-Bissau, com início previsto para 2026 e duração de cinco anos, liderado pelo Bandim Health Project de Peter Aaby e Christine Stabell Benn.
  • O ensaio randomizado compara dose no nascimento versus não receber a dose ao nascer, avaliando efeitos globais de saúde em vez de um desfecho específico de hepatite B.
  • Pesquisadores e especialistas criticam o estudo como antiético e arriscado, alegando possível neocolonialismo e risco de distorção dos resultados, em meio a um ambiente de saúde fragilizado.
  • A controvérsia ocorre após mudanças recentes nas diretrizes dos EUA para vacinação ao nascer contra hepatite B pela CDC, que classificou a decisão como individual e vinculou a mudanças a cortes de financiamento global.
  • Organização e especialistas ressaltam que a vacinação ao nascimento é amplamente eficaz e recomendada pela Organização Mundial da Saúde, e questionam a justificativa e a condução ética de realizar o estudo em Guiné-Bissau.

O governo dos Estados Unidos vai financiar um estudo de 1,6 milhão de dólares sobre vacinação contra hepatite B em recém-nascidos em Guiné-Bissau, previsto para 2026 a 2031. A pesquisa é liderada pelo Bandim Health Project, ligado a Peter Aaby e Christine Stabell Benn, com desenho de ensaio randomizado entre dose ao nascer ou não. O objetivo é avaliar efeitos globais na saúde infantil.

O projeto envolve acompanhar mortalidade, doenças e desenvolvimento de crianças recém-nascidas, comparando grupos com e sem a dose neonatal da hepatite B. O financiamento e a coordenação ficarão a cargo de uma instituição ligada à Universidade de Southern Denmark, conforme anúncio do CDC. A Guiné-Bissau enfrenta desafios na implementação da vacinação de nascimento.

Guiné-Bissau tem alta prevalência de hepatite B entre adultos e um sistema de saúde fragilizado, o que motiva discussões sobre riscos e ética de testes em populações vulneráveis. Organizações internacionais destacam a importância de manter a confiança na pesquisa e na vacinação, diante de dúvidas sobre consentimento informado e metodologia.

Contexto prévio

Críticas a estudos anteriores envolvendo a ligação entre vacina DTP e mortalidade em crianças foram citadas por especialistas ao redor do mundo. Pesquisadores associados ao Bandim Health Project fizeram parte dessas controvérsias, que tiveram repercussão internacional em políticas de vacinação e financiamento.

Detalhes do estudo

O estudo proposto é descrito como de cinco anos e terá desenho cego simples, com equipes de pesquisa sabendo quem recebeu a vacina. Pesquisadores defendem que o foco é mensurar efeitos gerais de saúde, não apenas eficácia específica da hepatite B ao nascimento.

Especialistas em saúde global apontam dúvidas sobre a necessidade de um novo ensaio em um país com alta endemicidade, comparando com situações em que a prática já é adotada. Também há questionamentos sobre viés, registro de resultados e relevância de oscilação metodológica em ambientes com recursos limitados.

Contexto ético e recepção

Críticos afirmam que testar uma intervenção comprovada como segura e eficaz em uma população com alta carga da doença levanta preocupações éticas. Observadores destacam a importância de avanços em cobertura vacinal ao nascimento para reduzir a transmissão entre bebês, em linha com metas internacionais.

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