- A investigação aponta uso indevido de logos e interesses privados por Sebastián Navarro, secretário-geral da CC35, para promover a Global Carbon Parks, com acordo público-privado de US$ 200 milhões com Santiago del Estero em 2021.
- Navarro e Maldonado eram descritos como acionistas majoritários da Global Carbon Parks, com Navarro controlando decisões, ainda sem participação societária formal; havia planos de renegociar o contrato e obter adiantamento de créditos.
- As negociações envolveram pressões legais, acusações de fraude ligadas a um negócio paralelo de carbono e tentativas de manter o acordo com Santiago del Estero mesmo com funcionários sob investigação.
- Em 2024, o acordo com Santiago del Estero não se concretizou, a Global Carbon Parks ficou inativa e a CC35 redirectou suas ações para monitoramento florestal via GREEN+; o pavilhão COP28 da Ecador ficou com dívidas não pagas.
- A controvérsia se estende aos patrocínios e logos de empresas como StoneX e ACX; empresas afirmam que CC35 usou seus logos sem autorização ou pagamento, gerando versões contraditórias entre envolvidos.
CC35, rede de prefeitos voltada a ações climáticas, aparece envolvida em controvérsias sobre uso de logos e interesses privados. A investigação aponta que Sebastián Navarro, secretário-geral da CC35, teria usado a organização para favorecer a Global Carbon Parks (GCP) e seus sócios, segundo documentos e áudios obtidos pelo meio.
A parceria público-privada anunciada em 2021 ligou a GCP à província de Santiago del Estero, na Argentina, com acordo de US$ 200 milhões para créditos de carbono. A operação incluía consultorias de Allcot e Cercarbono, e o projeto teve apoio da CC35. Relatos indicam renegociação de contratos e pressões legais.
Navarro é apontado como articulador de reuniões de alto nível e como quem moldou a metodologia de carbono da GCP, ainda sem aprovação de certificadores independentes. Maldonado, presidente da Ethic International, aparece como principal articulador financeiro na visão de algumas fontes.
Audios obtidos pela investigação revelam tentativas de renegociar o acordo com Santiago del Estero em 2023, além de indicar controle efetivo de Navarro sobre decisões da GCP, mesmo sem possuir participação societária formal. As conversas tratam de ampliar créditos e avançar com contratos antes de inspeções regulatórias.
A parceria com a Ethic International tornou-se alvo de resistência de certificadores como Cercarbono e Allcot, que chegaram a recusar a certificação da suposta metodologia da GCP. A discordância girou em torno da contagem de créditos e da aderência a princípios de integridade do mercado de carbono.
Além disso, em 2023-2024 houve descontinuidade de atividades da GCP e da Ethic International, bem como atraso em pagamentos ligados a financiamentos e dívidas associadas. A ausência de pagamentos também foi associada à disputa sobre o pavilhão COP28, em que a CC35 participou.
Pavilhão COP28 e transparência
Em 2022-2024, a CC35 coordenou junto à MAATE (Ministério de Meio Ambiente de Ecador) o pavilhão One-Planet na COP28, com patrocinadores como StoneX e ACX. Relatos indicam atraso no pagamento das despesas do espaço, estimadas em cerca de 183 mil dólares.
O governo do Equador afirmou ter mantido a infraestrutura do pavilhão, mas observou que a CC35 não quitou o débito aos organizadores da COP. Navarro negou ter recebido patrocínios diretos e comunicou que as-menções a patrocinadores não refletiam acordos firmados.
Situação institucional e impactos
Entre 2023 e 2024, a CC35 passou por mudanças administrativas, incluindo queda de ativos associados a GCP e Ethic International. A organização também buscou redesenhar atividades com a GREEN+ para monitoramento florestal, firmando acordos com agências espaciais, que, segundo fontes, não foram implementados.
Entidades ligadas a CC35, autoridades ambientais e organizações parceiras não comentaram, em parte, sobre ações legais ou financeiras. A CC35 afirma ser financiada por entidades privadas, com alguns governos arcando com eventos conjuntos.
Contexto e próximos passos
As informações indicam que o núcleo de controvérsia envolve a gestão de projetos de carbono, uso de logos, auditorias e a viabilidade de contratos governamentais com atores privados. Questionamentos sobre transparência, governança e cumprimento de obrigações permanecem em aberto.
Autoridades e organizações citadas não estenderam comentários adicionais sobre possíveis ações legais ou narrativas oficiais. O material utilizado pelas investigações é proveniente de documentos públicos, áudios e comunicações entre as partes.
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