- Steve Witkoff emerge como principal articulador diplomático de Trump, atuando em negociações no Oriente Médio e no conflito Rússia-Ucrânia, com sucessos como a libertação de uma professora americana e um cessar-fogo em Gaza.
- Marco Rubio tornou-se uma das vozes mais influentes, acumulando cargos de secretário de Estado e assessor de segurança, influenciando negociações com a Rússia e a Europa e ajudando a moldar a resposta a planos de paz na Ucrânia.
- Pete Hegseth, secretário de Defesa, tem promovido mudanças significativas no Departamento de Defesa e enfrentado controvérsias importantes, incluindo debates sobre operações militares e acesso da mídia.
- J. D. Vance consolidou-se como voz proeminente na política externa, defendendo posições mais restritivas a imigração e influenciando a visão de Washington sobre relações transatlânticas e Ucrânia.
- Elbridge Colby, chefe de política de Defesa, ganhou peso ao impor agenda de focalização na Indo-Pacífico e ao abrir questões estratégicas no quadro de interesses europeus, gerando tensões com a Congressão e desdobramentos na política de defesa.
O segundo mandato de Donald Trump alcançou perto de um ano e a depender do governo, o grupo que molda a política externa ganhou contornos mais estáveis e, em alguns casos, ampliou sua influência. A avaliação mostrada aponta menos rodízio de cargos em comparação com o primeiro período e maior peso de alguns nomes já consolidados.
Entre os nomes centrais que hoje definem e comunicam as diretrizes externas, destacam-se contatos políticos, negociações diplomáticas e ações de influência internacional. O conjunto evidencia uma abordagem que privilegia negociações diretas, pressões econômicas e uma leitura mais assertiva de questões estratégicas.
A seguir, os principais atores que vêm moldando a política externa de Trump 2.0, com foco no que realizam, quem envolve, quando atuam, onde atuam e por que são relevantes.
Steve Witkoff
O empresário Steve Witkoff despontou como o principal operador diplomático de Trump, com atuação que percorre o Oriente Médio e o conflito Russia-Ucrânia. Em fevereiro, ajudou a conseguir a libertação de uma professora americana detida na Rússia. Disputas diplomáticas, porém, marcaram avanços limitados com a Rússia para encerrar o conflito, incluindo propostas de paz em várias frentes. A ausência de experiência diplomática tem gerado controvérsias e contratempos, inclusive acusações de interpretações incorretas sobre posições russas em negociações.
Marco Rubio
Rubio, secretário de Estado, assumiu ainda mais protagonismo, acumulando funções de segurança nacional e, por vezes, de diplomacia pública. Além de liderar questões relacionadas à América Latina, tem atuado como contraponto a Witkoff em negociações com a Rússia. Sua atuação inclui ajustes em planos de paz para a Ucrânia, com maior sensibilidade aos interesses europeus e de Kyiv. A influência dele se consolida em meio a debates sobre políticas de imigração, defesa e cooperação transatlântica.
Pete Hegseth
Hegseth, chefe de Defesa, tem promovido uma visão de maior agressividade militar, com foco na prontidão e na letalidade das tropas. Entre as mudanças administrativas, houve tentativas de restringir o acesso à informação e de revisar iniciativas de diversidade e inclusão. O titular também busca redirecionar a marca do órgão, embora o rótulo formal ainda exija aprovação legislativa. Controvérsias envolvendo operações no Caribe colocam em dúvida a condução de decisões militares.
J. D. Vance
Vice-presidente influente, Vance defende uma linha mais restritiva em relações transatlânticas e políticas de imigração rigorosas. Em relação à Ucrânia, criticou o apoio a Kyiv e tem impulsionado posições sobre a postura europeia frente a refugiados. Seu discurso público em eventos internacionais e as críticas a governos europeus destacam uma agenda que enfatiza “America First” na prática externa, com impactos sobre alianças e coalizões.
Elbridge Colby
Colby, chefe de política de Defesa, exerce forte influência sobre a agenda estratégica, fortalecida pela relativa inexperiência de outros em cargos equivalentes. Encabeça medidas de reorientação de recursos para o Indo-Pacífico e revisões de alianças regionais. O cargo tem exigido mais transparência com o Congresso, o que elevou tensões bipartidárias sobre o acompanhamento de decisões de defesa, incluindo retirada de tropas.
Stephen Miller
Miller atua como deputy chief of staff, coordenando a linha dura de imigração. Embora não ocupe posição estritamente ligada a política externa, sua atuação impacta as relações com países de origem de migrantes e com políticas de refúgio. A defesa de medidas restritivas intensificou a retórica pública e as ações administrativas associadas à migração e à segurança nacional.
Jared Kushner
Kushner, sem cargo formal na segunda gestão como embaixador especial, participou de negociações significativas com Israel para avanços no Gaza e manteve diálogos com líderes russos e ucranianos. As discussões envolveram várias fases de negociações diplomáticas com foco em reduzir escaladas regionais. Preocupações sobre conflitos de interesse acompanham o diplomata próximo ao presidente, apesar de manter interlocuções com parceiros internacionais.
Scott Bessent
Secretário do Tesouro, Bessent concentra-se em guerras comerciais e políticas tarifárias, defendendo uso estratégico de tarifas para influenciar parcerias globais. Participa de negociações com China e avalia movimentos para eventuais mudanças no quadro macroeconômico americano, incluindo cenários de reforma do Fed. A atuação dele pode ganhar importância caso haja reorganização das estruturas econômicas da administração.
Destaques honorários
Entre figuras que acompanham, Melania Trump tem atuado, ainda que com foco limitado, em temas humanitários ligados ao conflito Rússia-Ucrânia, com iniciativas de apoio a famílias de crianças ucranianas. Susie Wiles, chefe de gabinete, mantém papel central nos bastidores da Casa Branca, influenciando processos decisórios sem a mesma exposição pública de outros nomes.
Fontes de assessoria ressaltam que o conjunto continua sujeito a mudanças, com o objetivo de manter coesão entre política externa, segurança e economia. A Casa Branca não detalha planos futuros, limitando-se a afirmar que as decisões serão baseadas em avaliações estratégicas, interesses nacionais e alianças internacionais.
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