- As eleições começam em 28 de dezembro em mais de 100 subunidades, com a segunda fase em 11 de janeiro e possível terceira ainda não anunciada.
- Serão 57 partidos no pleito, a maioria ligada ao regime militar; o Partido da Solidariedade e Desenvolvimento tem mais candidatos, e a Liga Nacional para a Democracia não participa.
- A Liga Nacional para a Democracia foi dissolvida e a ex-líder Aung San Suu Kyi permanece presa.
- Críticos e organizações de direitos humanos afirmam que o pleito é uma farsa para manter os generais no poder; não há votação em áreas sob controle de rebeldes.
- A China apoia oficialmente o pleito; nações ocidentais e a ONU criticam o processo, vendo-o como violento e repressivo.
Cinco anos após o golpe de 2021, Myanmar realiza pela primeira vez eleições desde o início do conflito civil. O pleito é organizado pela junta e ocorre em um ambiente de forte controle, com a dissolução da Liga Nacional para a Democracia e o fechamento de muitos partidos étnicos.
A votação começa em 28 de dezembro em mais de 100 subunidades, com uma segunda fase marcada para 11 de janeiro. A possível terceira etapa não foi anunciada. O processo ocorre sob críticas de fraude e de ausência de competição real.
Ao todo, 57 partidos aparecem na ballot, mas a maior parte está associada ou dependente do militar. A União Solidaria de Desenvolvimento, ligado aos militares, apresenta o maior número de candidaturas e atua de forma praticamente incondicional em várias áreas.
Quem está competindo
A Liga Nacional para a Democracia, liderada por Aung San Suu Kyi, não participa. A sigla foi dissolvida após o governo registrar-se com a comissão eleitoral apoiada pelos militares. Do mesmo modo, dezenas de partidos étnicos deixaram de existir.
Segundo observadores, mais de metade dos partidos que disputaram as eleições de 2020 já não existe, embora tenham obtido expressivas parcelas de voto e assentos. A estrutura política permanece centrada no aparato militar.
O que está em jogo
Críticos afirmam que o pleito funciona como uma manobra para manter o poder por meio de candidatos ligados aos militares. Não haverá votação em áreas controladas por grupos rebeldes, o que reduz a área útil do voto.
A junta sustenta que a eleição reflete apoio popular e que o processo será seguido para retornar a um sistema multipartidário. O escrutínio ocorre em meio a repressão e a leis que punem críticas e desordem, com prisões de manifestantes e profissionais de mídia.
Repercussões internacionais
Países ocidentais enxergam o pleito como falho, enquanto China apoia a decisão da junta. O alto comissário da ONU para Direitos Humanos mencionou violência e repressão que cercam a votação.
Entre críticas, há alerta sobre violações aos direitos civis, incluindo prisões de quem critica o processo ou apoia boicotes. Autoridades do governo militar afirmam que a eleição não é destinada à comunidade internacional, mas ao retorno de um sistema democrático multipartidário.
A trajetória de Suu Kyi
A ex-líder de fato permanece detida desde o golpe de 2021. Sua ausência na urna é vista por apoiadores como indicador crítico sobre a legitimidade do pleito. Por ora, o governo disputado pelo militar não oferece datas ou garantias para sua libertação.
A conjuntura atual Upa a lente sobre o futuro político do país, ainda imerso em conflito. As eleições ocorrem em meio a tensões, prisões e limitações institucionais que moldam o cenário democrático no país.
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