- Zelensky informou que plano de 20 pontos dos EUA para a Ucrânia visa encerrar o conflito, com Moscou revisando posições.
- O documento prevê congelamento da frente de batalha nas linhas atuais e a criação potencial de zonas desmilitarizadas.
- Kiev conseguiu retirar a exigência de abandonar imediatamente Donetsk e não reconhecer território ocupado como russo; também abriu mão de exigir que a Ucrânia renuncie formalmente à Otan.
- A Rússia permanece com a linha de exigir retirada total das forças ucranianas e não detalha os pontos do plano; Moscou não comenta os detalhes publicamente.
- Outros aspectos incluem a possibilidade de zonas desmilitarizadas em Enerhodar, estudo de reposicionamento militar por um grupo de trabalho e a necessidade de referendo para eventuais retiradas; eleições presidenciais ocorrerão após a assinatura do acordo.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelou um novo plano dos EUA para a Ucrânia, na tentativa de encerrar o conflito com a Rússia. A versão atualizada, de 20 pontos, prevê o congelamento da frente de batalha e a possibilidade de zonas desmilitarizadas. A apresentação ocorreu em Kiev nesta quarta-feira, 24, em encontro com jornalistas.
Segundo Zelensky, o documento, elaborado em consenso por negociadores dos EUA e da Ucrânia, ainda está sendo revisado por Moscou. O presidente afirmou que o Kremlin pode não aceitar as mudanças, mantendo reivindicações territoriais e a retirada total das tropas da região do Donbass.
O texto anterior era de 28 pontos e continha exigências consideradas inaceitáveis por Kiev. Entre as alterações importantes, o plano retira a obrigação de retirada imediata de forças de Donetsk, evita reconhecer território controlado por Moscou como russo e elimina a exigência de renúncia formal à Otan.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscou está definindo sua posição e não comentou os detalhes do plano. Zelensky afirmou que a linha de mobilização nas áreas de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson permanece como a linha de contato atual.
Entre as concessões destacadas, o líder ucraniano citou a possibilidade de criar zonas desmilitarizadas em parte de Donetsk, com referência a uma retirada parcial de tropas, ainda sob estudo. Também foi mencionada a criação de zonas econômicas especiais futuras, sujeitas a acordos.
A Ucrânia sinalizou ainda a possibilidade de transformar Enerhodar, perto da usina de Zaporizhzhia, em zona desmilitarizada. Qualquer retirada de tropas para esse fim dependeria de referendo no país, segundo Zelensky.
O plano prevê uma administração conjunta da usina de Zaporizhzhia entre EUA, Rússia e Ucrânia, embora Kiev tenha dito que não deseja supervisão direta russa. Zelensky ressaltou que a Ucrânia manterá a soberania sobre a decisão final.
No cenário internacional, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o correligionário Vladimir Putin aparecem como atores que pressionam por saídas rápidas. As posições russas continuam enfatizando a negação de ceder territórios e a rejeição de adesão da Ucrânia à Otan.
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