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O que se sabe sobre o espião russo que Lula pode devolver a Moscou

Arquivado em 2025, o inquérito afirma que Cherkasov visava terceiros; o caso mantém o Brasil em alerta e amplia vigilância com alerta da Interpol

O espião russo Serguei Cherkasov em um restaurante em 2017, em Moscou, durante uma videochamada descoberta pelo Departamento de Justiça dos EUA (Foto: Reprodução/ Departamento de Justiça dos Estados Unidos )
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  • O caso envolve Serguei Vladimirovich Cherkasov, espião russo preso no Brasil em dezembro de dois mil e vinte e dois, que operava sob a identidade Victor Muller Ferreira; o pedido de extradição depende do presidente Lula e já enfrentou decisão do STF.
  • Em dois mil e vinte e cinco, o inquérito de espionagem foi arquivado, apontando que seus atos visavam terceiros, não o Brasil, o que alimenta a versão de uma via jurídica brasileira para sua devolução.
  • Cherkasov construiu uma identidade brasileira desde mil e dez, usando documentos falsos e vivendo como cidadão comum em várias regiões do país, além de estudar na Irlanda e nos Estados Unidos antes de tentar ir ao Tribunal Penal Internacional.
  • Além dele, há outros espiões russos identificados no Brasil, como Mikushin (coronel do GRU), o casal Smireva/Shmyrev, o diplomata Chumilov, Danilov/Danilova, Tyutereva, Utekhin e Koval, entre outros, alguns com passaportes brasileiros autênticos usados como legenda.
  • As autoridades brasileiras mantêm o alerta: o Brasil pode servir de base e passagem para operações de espionagem, com uso de identidades falsas e a circulação internacional facilitada pelo passaporte brasileiro.

A extradição do espião russo Serguei Vladimirovich Cherkasov permanece em análise, com o presidente Lula cabendo a decisão final após consulta a órgãos de Justiça. O caso ganhou novas leituras após 2024 e 2025, quando o inquérito no Brasil foi arquivado.

Cherkasov, preso em dezembro de 2022, vivia no Brasil com identidade falsa desde 2010. A história mostra como o Brasil passou a figurar em disputas entre serviços de inteligência de diferentes países, com impactos diplomáticos.

Entre as primeiras revelações, Cherkasov chegou ao Brasil usando um passaporte russo verdadeiro em 2010, criou a identidade Victor Muller Ferreira e documentos brasileiros autênticos para atuar como pesquisador e cidadão.

Contexto inicial

A operação permitiu que ele circulasse por instituições estratégicas no Ocidente, levando vida pública semelhante à de cidadãos comuns. Em 2022, a tentativa de ingressar na Holanda para estágio no Tribunal Penal Internacional expôs o disfarce.

A exposição ocorreu quando a imigração holandesa o considerou agente ilegal da GRU, levando à deportação e à prisão ao retornar ao Brasil. A partir de então, a questão ganhou contornos jurídicos e diplomáticos.

Linha do tempo da operação

Em 2022, surgiram denúncias de uso de documentos falsos e o caso tramitou no STF, com pedidos de extradição encaminhados pela Rússia. O governo dos EUA também manifestou interesse, mas o Brasil rejeitou a solicitação por ne bis in idem.

Em 2023, Fachin autorizou a extradição com efeito suspensivo. A pena por falsidade documental foi reduzida, porém a prisão permaneceu. Em 2024, a exclusão de Cherkasov da troca de prisioneiros foi lida como aposta pela via jurídica brasileira.

Situação recente

Em 2025, o inquérito foi arquivado, indicando que os atos teriam visado terceiros, não o Brasil. A PF aponta que Cherkasov não atuava isoladamente e alerta para outros agentes russos que poderiam operar no país com identidades falsas.

A instituição também vê o Brasil como plataforma para deslocamentos de agentes para destinos sensíveis, destacando a facilidade de circulação com documentos brasileiros. A vigilância permanece alta nas áreas de contraespionagem.

Outros espiões identificados no Brasil

Além de Cherkasov, há casos de russos com identidades falsas ou cobertura diplomática no Brasil. Mikushin, coronel do GRU, usava o nome José Assis Giammaria e atuou como pesquisador visitante na Noruega em 2021; preso em 2022, foi trocado em 2024.

Casal Smireva/Shmyrev atuou com identidades falsas, visitou o Brasil em 2019 e operou por anos no Rio de Janeiro. Ambos deixaram o país em 2018 e foram identificados por meio de investigações internacionais.

Chumilov, primeiro-secretário da Embaixada, foi apontado pela Abin por recrutamento de brasileiros como informantes. Saiu do Brasil em 2023, conforme acordo diplomático, tornando público o caso apenas em 2024.

Danilov e Danilova viveram no Rio entre 2016 e 2018 com identidades falsas, migraram para Portugal e sumiram. A Interpol publicou alerta azul em 2024 para Tyutereva, que utilizou passaporte uruguaio posteriormente.

Outros indivíduos identificados incluem Utekhin, que se apresentava como Eric Lopes, e Koval, casal com Antonova, ambos fora do Brasil desde 2023 e sob vigilância internacional.

Perspectivas

A PF ressalta que ataques a sistemas de registro e a circulação facilitada por passaportes brasileiros mantêm o Brasil como ponto sensível para atividades de espionagem. O tema segue sob monitoramento das autoridades de segurança e Justiça.

As informações são provenientes de investigações nacionais, cooperação internacional e fontes oficiais. As fontes não detalham números oficiais, apenas descrevem os padrões de atuação.

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