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Crise na Venezuela: duas maiores ameaças à fronteira com o Brasil

Cruzamento de venezuelanos aumenta demanda por saúde e educação em Roraima, enquanto Tren de Aragua amplia atuação criminosa na fronteira brasileira

Fronteira entre Brasil e Venezuela é livre: fácil para crime organizado atuar
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  • O Brasil enfrenta crise na fronteira com a Venezuela, com fluxo migratório intenso e atuação de organizações criminosas como o Tren de Aragua.
  • Entre 2015 e 2024, o Unicef registrou quase 570 mil venezuelanos entrando no Brasil, sendo 4.283 crianças desacompanhadas ou sem documentação.
  • A maior parte dos migrantes entra pela fronteira norte, em Roraima, nos municípios de Pacaraima e Boa Vista, o que pressiona serviços públicos locais.
  • O Tren de Aragua, criado em Tocorón, na Venezuela, é apontado como a organização que mais cresceu na região; há infiltração entre refugiados e ligações com o PCC no Norte do Brasil.
  • Na cúpula do grupo, destacam-se Niño Guerrero (Héctor Rusthenford Guerrero Flores), Johan Petrica (Yohan José Romero) e Giovanni Vicente Mosquera Serrano, com incentivos e recompensas de dezenas de milhões de dólares pelos EUA e autoridades internacionais.

Os últimos anos marcaram a Venezuela por crises políticas e sociais que alimentaram fluxos migratórios. A captura do autocrata Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos, ocorrida no sábado, 3, foi apresentada como desfecho do período de tensão. A mudança política ocorre em meio a uma onda migratória mundial e à atuação de organizações criminosas que chegam à fronteira com o Brasil, sobretudo em Roraima.

Dados do Unicef indicam que, entre 2015 e 2024, quase 570 mil venezuelanos entraram no Brasil, com 4.283 crianças chegando desacompanhadas ou sem documentação. O órgão aponta que a capacidade de absorção de serviços públicos locais já era desafiadora antes da chegada dos migrantes e, para as crianças, a ausência de documentação complica acesso a histórico escolar e documentos de guarda.

Os argentinos, colombianos e comunidades indígenas entre os migrantes elevam a demanda por saúde e educação na região norte. Pacaraima e Boa Vista são cidades mais impactadas pela presença de quem busca refúgio, segundo o Unicef. A organização ressalta ainda que a falta de documentação dificulta a inclusão de crianças em serviços básicos.

Em paralelo, o crime organizado avança na fronteira. O Tren de Aragua, criado em 2014 dentro da prisão de Tocorón, é apontado por autoridades como uma das maiores organizações da região. A atuação do grupo gerou preocupações sobre a entrada de seus integrantes no Brasil, com infiltração entre refugiados e vínculos com demais facções.

Entre os líderes identificados, Niño Guerrero, cujo nome completo é Hector Rusthenford Guerrero Flores, aparece como figura de destaque. Agravam-se as informações de que ele estaria em rota de fuga e que o Departamento de Tesouro dos EUA oferece recompensa de 5 milhões de dólares por dados que ajudem na sua localização. Guerrero é citado como ligado a operações de extorsão, tráfico e controle de atividades criminosas.

Outro integrante próximo a Guerrero é Johan Petrica, também conhecido como Yohan José Romero. Ele seria responsável por atividades de mineração ilegais para o Tren de Aragua e pela aquisição de armas de uso militar para a organização. O governo americano oferece 4 milhões de dólares por informações que levem à sua localização.

Giovanni Vicente Mosquera Serrano completa a tríade de nomes da cúpula citados pelas autoridades norte-americanas. Inserido na lista de procurados do FBI, ele é classificado como buscado por inúmeras acusações federais. O FBI classifica o Tren de Aragua como organização violenta transnacional, associada a tráfico de drogas, de pessoas e de armas, com atuação na América Latina e nos Estados Unidos.

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