- Durante a visita do presidente francês Emmanuel Macron ao México, ficou acordada a troca simultânea de dois códices coloniais entre Paris e Cidade do México, em regime de empréstimo.
- Os códices são o Codex Azcatitlán, na Bibliothèque Nationale de France desde mil oitocentos e noventa e oito, e o Codex Boturini, na Biblioteca Nacional de Antropologia e História do México. Ambos narram a migração mexica de Aztlán para Tenochtitlán.
- A iniciativa faz parte de um programa cultural que comemora o bicentenário da relação entre os dois países e reforça a campanha de restituição de códices a México, incluindo o Codex Borbonicus, mantido em Paris.
- O Codex Boturini foi coletado por Lorenzo Boturini e permaneceu no México desde mil oitocentos e vinte e cinco; o Codex Azcatitlán teve redatação para o século XVII em milsetecentos e dezessete e já pertenceu ao Boturini.
- A retomada de códices enfrenta entraves: projeto de lei na França sobre restituição de itens adquiridos entre mil oitocentos quinze e mil novecentos setenta e dois pode não avançar, e no México há dependência de boa vontade histórica para itens anteriores à lei de patrimônios de mil setenta e proteção da Unesco de mil novecentos setenta.
Durante a visita do presidente francês Emmanuel Macron ao México em novembro, foi acordada a troca simultânea de dois códices de época colonial entre Paris e Cidade do México. Os documentos são o Codex Azcatitlán, na França desde 1898, e o Codex Boturini, no México, com conservação como prioridade. A operação integra um programa cultural que assinala os 200 anos de relações bilaterais.
Ambos códices narram a migração Mexica de Aztlán para Tenochtitlán. O Boturini, do século XVI, foca na Nação mexica e recebeu o nome de Lorenzo Boturini, colecionador italiano. Desde 1825, o códice permaneceu no México, após passagem por vários donos.
O Azcatitlán, antes associado ao século XVI, teve a datação reavaliada em 2017 para a segunda metade do século XVII. Além da migração, o códice retrata a atuação de governantes indígenas, a conquista espanhola e o início do período colonial.
A remetente do acordo, Claudia Sheinbaum, informou que o empréstimo visa ampliar o diálogo sobre restituição de códices históricos que hoje pertencem ao acervo mexicano, como o Codex Borbonicus, mantido em Paris. A campanha de restituição envolve comunidades indígenas e pesquisadores.
A luta pela devolução dos códices envolve também a comunidade Nahñu de Otomi, que reivindica o Codex Borbonicus para Hidalgo. O códice está na Bibliothèque de l’Assemblée Nationale desde 1826, adquirido em leilão, com solicitações de retorno históricas.
No âmbito legal, a França analisa um projeto de lei sobre restituição de objetos de era colonial, que restringe pedidos a itens adquiridos entre 1815 e 1972. A medida é vista como improvável de prosperar. No México, a repatriação depende de boa vontade, tendo em vista a aquisição anterior a leis de proteção patrimonial de 1972.
Especialistas mexicanos ressaltam que a repatriação envolve questões legais complexas, incluindo normas UNESCO de 1970. O acordo de empréstimo bilateral é observado como gesto simbólico, sem compromisso formal imediato de devolução permanente.
Para autoridades mexicanas, o empréstimo pode sinalizar abertura ao diálogo, mas não resolve o tema de forma definitiva. A expectativa é de avanços contínuos nas negociações, com foco em mecanismos de restituição mais estáveis e duradouros.
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