- Bangladesh interditou as transmissões da Indian Premier League e a equipe do país não disputará partidas na Índia durante o próximo Campeonato Mundial de T20, após a saída do astro Bangladeshi Mustafizur Rahman.
- As tensões refletem percepções recíprocas: Dhaka acusa influência externa na política interna, enquanto a Índia teme retrocessos com a saída de Hasina em 2024 e o crescimento de atores anti-índicos.
- Um caso recente envolve violência contra minorias hindu e o assassinato de Osman Hadi, com a polícia de Bangladesh alegando que dois suspeitos fugiram para a Índia.
- A eleição de Bangladesh, marcada para 12 de fevereiro, é vista como uma oportunidade de reabertura diplomática, com a Índia dizendo estar disposta a dialogar com qualquer governo eleito.
- O provável vencedor, o BNP, adotou tom mais firme com a Índia, mas muitos fatores internos, incluindo a influência de grupos islamistas, podem limitar qualquer aproximação; a relação também ganhou sinais de aproximação após felicitação de Modi a Tarique Rahman pelo falecimento de Khaleda Zia.
A tensão entre Índia e Bangladesh escalou em meio a controvérsias políticas e esportivas, com Bangladeshi governo interino proibindo transmissões da Indian Premier League após a contratação de um craque bengalense pelo time Kolkata Knight Riders. O movimento foi visto como sinal de atrito entre Dhaka e New Delhi, em um momento de disputa diplomática.
Bangladesh ainda informou que não disputará partidas no jogo- mundial de T20 que acontecerá na Índia, em meio a críticas sobre a postura de Nova Déli. As decisões chegam dias antes das eleições gerais no Bangladesh, marcadas para 12 de fevereiro, o que aumenta a temperatura política na região.
No pano de fundo, as relações são conturbadas desde 2024, quando protestos em Bangladesh levaram à queda do governo de Hasina. O governo indiano recebeu Hasina em visitas oficiais e recusou sua extradição, reforçando a percepção de que a Índia tem influência na política local.
Críticos bengalis apontam que a saída de Hasina criou espaço para vozes alinhadas a interesses inimigos de Nova Déli, enquanto a Índia teme a atuação de grupos islâmicos que poderiam desestabilizar a região. A situação se agrava com acusações de crimes contra a humanidade ligados a repressões de protestos de 2024.
Na prática, a relação entre os dois países oscila entre cooperação em segurança e distanciamento diplomático, especialmente com a proximidade do pleito bengalês. Embora a Índia sinalize disposição para trabalhar com qualquer governo eleito, o apoio público a políticas mais moderadas depende do resultado das urnas.
Tarique Rahman, provável futuro primeiro ministro do Bangladesh pelo BNP, pediu união além de divisões políticas, propondo um tom conciliatório para assegurar direitos de minorias, incluindo a Hindu. A postura contrasta com posicionamentos mais firmes de setores conservadores dentro do próprio BNP.
Analistas apontam que a eleição oferece uma janela para um recomeço nas relações, desde que haja disposição de ambas as partes a arcar com custos políticos internos. O desfecho depende da capacidade de Dhaka e Nova Déli de equilibrar interesses domésticos com objetivos estratégicos regionais.
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