Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar sobre a aquisição da ilha da Groenlândia, território atualmente dinamarquês, ao afirmar que deseja comprá-la, mas que, ao mesmo tempo, não descarta uma possível investida com as forças armadas para alcançar esse objetivo. Representantes da Dinamarca e da Groenlândia reagiram às falas […]
Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar sobre a aquisição da ilha da Groenlândia, território atualmente dinamarquês, ao afirmar que deseja comprá-la, mas que, ao mesmo tempo, não descarta uma possível investida com as forças armadas para alcançar esse objetivo.
Representantes da Dinamarca e da Groenlândia reagiram às falas e investidas de Trump. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que “a Groenlândia não está à venda”. Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, criticou a ideia e classificou as declarações do presidente dos Estados Unidos como “enganosas e desrespeitosas”.
Além deles, outros representantes europeus também se manifestaram sobre as falas do presidente americano. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que os Estados Unidos estão “se afastando dos aliados e das normas multilaterais”. Já o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, alertou para um possível “colapso dos valores” globais diante de ações como a intenção de Trump de anexar territórios.
Porque Trump quer o território da Groenlândia?
Atualmente, a Groenlândia é a maior ilha do mundo e pertence ao Reino da Dinamarca. O interesse do presidente americano pela região envolve uma combinação de fatores, entre eles a segurança militar, a posição geopolítica no Ártico e a disputa de influência com China e Rússia.
Um dos principais motivos é a localização da ilha, situada entre a América do Norte e a Europa, o que a transforma em um ponto militar estratégico para os Estados Unidos. A Groenlândia está na rota mais curta entre os dois continentes e, há décadas, é considerada essencial para o sistema americano de defesa e alerta contra mísseis balísticos.
Ainda no campo militar, os Estados Unidos demonstram interesse em ampliar sua presença na região, com a instalação de radares e estruturas capazes de monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido. A área é apontada como uma rota frequente de navios e submarinos nucleares russos. O cenário se agrava com a crescente militarização do Ártico, que envolve países da Otan, além de Rússia e China.
Essa militarização e ocupação da China e da Rússia na região ártica também preocupam os Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, Trump avalia que assumir o controle da Groenlândia ajudaria a conter essa atuação e a reforçar a segurança nacional do país. O presidente também afirmou ver embarcações russas e chinesas circulando pela região e sustenta que a Dinamarca não teria feito o suficiente para proteger o território.
Por fim, o potencial econômico da ilha também surge como um atrativo para Trump, já que a Groenlândia abriga riquezas minerais, além de reservas de petróleo e gás natural. Esse fator se conecta à ambição dos Estados Unidos de reduzir a dependência de recursos estratégicos da China, o que poderia avançar com o controle da Groenlândia e o acesso a fontes além do país asiático.
A atual presença na Groenlândia
Com todos os pontos anteriores em mente e o planejamento americano acerca da ilha, um acordo firmado durante a Guerra Fria já daria um “aval” para que os Estados Unidos realizassem grande parte dessas investidas, tratadas como prioridades estratégicas.
O acordo assinado em 1951 entre os Estados Unidos e a Dinamarca concede ao país norte-americano liberdade para construir, instalar, manter e operar bases militares em toda a Groenlândia, além de permitir a presença de pessoal e o controle de pousos, decolagens, ancoragens, movimentações e operações de navios, aviões e embarcações.
Atualmente, porém, o cenário é diferente. O acordo foi atualizado em 2004 para incluir o governo semi autônomo da Groenlândia, o que garante a consulta às autoridades locais sobre os impactos das operações militares na população.
Mesmo assim, há estimativas de que, caso os Estados Unidos façam pedidos considerados razoáveis, a tendência histórica seja a concessão de autorizações, seja por cortesia diplomática, seja pela relação estratégica entre os países. Avaliações indicam que os EUA poderiam apenas notificar a Dinamarca sobre novas instalações militares, como bases, aeroportos ou portos, sem enfrentar grande resistência.
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