- Em meio a uma crise inflacionária, protestos intensificaram-se no Irã; o aiatolá Ali Khamenei acusou manifestantes de agirem em nome do presidente norte-americano e classificou-os como mercenários, prometendo não tolerar vandalismo.
- As manifestações, que ganharam força após ameaças de intervenção dos EUA, foram reprimidas com força letal; o regime também bloqueou redes de comunicação para dificultar a mobilização.
- A economia iraniana está fragilizada: o rial atingiu nível histórico em dezembro, com impactos diretos na vida cotidiana, agravando o descontentamento público.
- Pelo menos 42 pessoas morreram e mais de 2.270 foram detidas em razão dos atos de protesto, conforme a agência Human Rights Activists News Agency.
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que, se Teerã matar manifestantes pacíficos, os EUA intervirão; ele não confirmou encontro com Reza Pahlavi e sugeriu que a situação pode levar o líder iraniano a reconsiderar o poder.
Em meio a protestos crescentes provocados pela crise inflacionária, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou manifestantes de agir em nome dos Estados Unidos e de vandalizar. Disse que mercenários a serviço de estrangeiros não seriam tolerados, em resposta a ameaças do presidente americano.
Segundo relatos, as declarações vieram após o discurso de Donald Trump, que ameaçou intervir em Teerã a favor dos participantes das ações. As demonstrações têm sido reprimidas com força por parte das forças de segurança iranianas, com uso de repetidas ações violentas.
Khamenei afirmou que a República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas e que não recuará diante de vândalos. Pediu ainda que Trump se preocupe com os problemas de seu país e descreveu os agitadores como tentando agradar o presidente americano destruindo ruas e propriedades públicas.
O líder iraniano disse que as mãos de Trump estão manchadas pelo sangue de mais de mil iranianos, em referência aos bombardeios de anos anteriores, e previu que o líder americano seria derrubado, fazendo analogia com a dinastia que governou o Irã antes da revolução de 1979.
Nesta semana, manifestantes passaram a pedir proteção de Trump e, simbolicamente, mudaram nomes de ruas para prestar homenagens ao presidente dos EUA. As concentrações continuam na sexta-feira, mesmo com o bloqueio de redes de comunicação pelo governo.
A internet no país foi desligada para limitar a divulgação do que ocorre, segundo a pesquisadora Holly Dagres. Ela atua no Instituto de Washington para Política do Oriente Médio, que monitora a situação.
O início das mobilizações remete a 28 de dezembro, quando a inflação acelerou a queda da moeda local, o rial, a patamar histórico próximo de 1,4 milhão por dólar. O ritmo de protestos tem sido mais contido do que em 2022, mas avança com rapidez.
O regime enfrenta maior vulnerabilidade econômica diante de sanções mais rígidas relacionadas ao programa nuclear, agravadas pela guerra com Israel e os Estados Unidos. Na quinta-feira, manifestantes marcharam em Teerã e em outras cidades após o chamado de Reza Pahlavi, príncipe herdeiro exilado.
Vídeos de ativistas mostram slogans contra o governo, queimadas e destruição em vias públicas. Pahlavi pediu que líderes europeus se juntem a Trump para responsabilizar o governo e restabelecer as comunicações.
Pelo menos 42 pessoas morreram em ações violentas associadas aos protestos, e mais de 2.270 pessoas foram detidas, conforme a agência Human Rights Activists News Agency, com base em informações de fontes locais.
Trump, em entrevista à Fox News, afirmou que Teerã deverá pagar caro caso mate manifestantes pacíficos, observando que não confirmou encontro com Pahlavi, mencionando apenas que a situação é complexa para um encontro neste momento.
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