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Vítimas inocentes da violência eleitoral na Tanzânia

Pelo menos treze mortos após atuação policial em café em Mwanza; violência eleitoral na Tanzânia sustenta estimativa da ONU de centenas de execuções extrajudiciais

New protests in Tanzania's main city after chaotic election
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  • Em Mwanza, no dia 31 de outubro, por volta das 20h30, policiais atiraram para civis em um café, resultando na morte de pelo menos 13 pessoas, segundo testemunhas e vídeos verificados.
  • Testemunhas afirmam que civis não envolvidos em protestos foram alvo dos disparos, que ocorreram a quilômetros de agitações públicas.
  • A violência eleitoral de 29 de outubro gerou episódios em Mwanza, Dar es Salaam e Arusha, com relatos de tiros indiscriminados e danos a imóveis.
  • Nações Unidas estimam centenas de mortes e o governo criou uma comissão de apuração para investigar os acontecimentos, negando ordens de atirar para matar.
  • Algumas vítimas não foram identificadas de imediato; famílias apontam dificuldades para localizar corpos e denunciam possível ocultação de evidências, alegação aceita com cautela pelo governo.

Em Mwanza, Tanzânia, policiais abriram fogo na noite de 31 de outubro, na região de Mjimwema. Sem aviso, agentes dispararam em várias direções enquanto civis buscavam ver televisão, fazer compras e tomar café. Ao fim da ação, há relatos de mais de uma dúzia de mortos.

Testemunhas ouvidas pela Reuters indicam que homens que se abrigaram dentro de um café foram obrigados a se deitar no chão e, em seguida, alvos de tiros. Um vídeo postado nas redes sociais mostra o cenário após o ataque, com pelo menos 13 corpos no chão encharcado de sangue.

O massacre de Mjimwema foi registrado pela Reuters como um dos incidentes mais graves durante os dias de violência que acompanharam as eleições de 29 de outubro. A agência ouviu relatos de oito ocorrências semelhantes em Mwanza, Dar es Salaam e Arusha, envolvendo disparos contra civis não participantes de protestos.

O que se sabe sobre o contexto

Organizadores de direitos humanos estimam centenas de óbitos em todo o país; autoridades oficiais afirmam que a violência envolveu protestos e ações de segurança. O governo criou uma comissão de inquérito para apurar a violência eleitoral, embora sustente que não houve política de brutalidade contra civis.

O governo nega ordens de “atirar para matar” como política, e afirma que operações de segurança seguem salvaguardas legais. O presidente enlutou-se pela vitória no pleito, defendendo a resposta das forças de segurança como resposta aos atos de violência durante os protestos.

Relatos de testemunhas citadas pela Reuters descrevem vandalismo e confrontos em várias cidades, com policiais supostamente atingindo civis distantes de quaisquer protestos. Em alguns casos, os agentes teriam atuado contra pessoas que não desocuparam áreas públicas.

Cenário e desdobramentos

Em Mwanza, moradores disseram que, dois dias após as ações, ainda não havia explicação oficial sobre a motivação dos disparos. De acordo com a imprensa local, a polícia pediu contenção de informações em redes sociais durante o período de instabilidade.

A fiscalização de dados de vítimas aponta para famílias buscando registros oficiais e enterramentos, enquanto autoridades destacam a necessidade de evidências verificáveis para sustentar acusações contra as forças de segurança. O comitê de inquérito promete divulgar resultados oportunamente.

A violência gerou controvérsias sobre o alcance das ações de segurança, com organizações internacionais destacando relatos de mortes extrajudiciais. Autoridades africanas ressaltam que investigações independentes devem esclarecer responsabilidades.

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