- Milei afirmou não haver motivo para dialogar com Lula sobre a Venezuela e apoiou a linha de ação dos Estados Unidos contra o regime de Nicolás Maduro.
- O presidente argentino também disse preferir a vitória de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira deste ano, em entrevista publicada pela CNN.
- Flávio Bolsonaro informou que, em 2027, uma eventual gestão conjunta com Milei poderia render parceria comercial efetiva entre Brasil e Argentina.
- O acordo histórico entre União Europeia e Mercosul, que prevê redução gradual de tarifas em noventa por cento das mercadorias, deve ainda passar pelo Parlamento Europeu.
- O Itamaraty comunicou que o Brasil deixará de representar os interesses da Argentina na Venezuela, com a custódia da embaixada argentina em Caracas sendo transferida para a Itália.
O presidente da Argentina, Javier Milei, disse não ver motivo para conversar com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a crise venezuelana. A declaração foi dada em entrevista à CNN publicada neste sábado (10), durante o tema recente de tensões envolvendo a Venezuela. Milei manteve apoio à postura contundente dos Estados Unidos contra o regime de Nicolás Maduro.
O argentino afirmou que não há base para diálogo com Lula sobre a Venezuela e endossou a linha adotada por Washington. Ele classificou as propostas de Lula como reflexos do que chamou de socialismo do século 21 e disse apostar em uma solução alinhada aos Bolsonaro. Não detalhou como seria uma relação bilateral sob um novo mandato do petista.
Paralelamente, Flávio Bolsonaro reagiu com entusiasmo ao apoio público de Milei. O pré-candidato à Presidência pela direita articulou que, a partir de 2027, haveria espaço para uma parceria comercial efetiva entre Brasil e Argentina. Ele citou redução de barreiras e cooperação em energia, infraestrutura e comércio bilateral.
Na prática, o senador aponta que o endosso de Milei sinaliza um ambiente externo favorável a um eixo econômico entre os dois países, em contraste com críticas de Milei ao modelo de governos de esquerda na região. A pauta econômica protagonizaria o alinhamento regional voltado ao mercado.
Mercosul e UE são referências no cenário externo. O bloco europeu aprovou, recentemente, um acordo histórico de livre comércio com o Mercosul, após décadas de negociações. O tratado prevê a eliminação gradual de tarifas sobre 90% das trocas e depende de aprovação do Parlamento Europeu e assinatura formal prevista para este mês.
Mudanças diplomáticas também aparecem na agenda regional. O Itamaraty informou que o Brasil deixará de representar os interesses da Argentina na Venezuela, posição que já estava em curso desde agosto de 2024, quando a embaixada argentina em Caracas foi desativada. A tutela consular será transferida à Itália, conforme acordos bilaterais.
O deslocamento diplomático ocorre em meio a recentes desdobramentos na região, incluindo a captura de Maduro pelos Estados Unidos. Enquanto Lula rejeita intervenção militar, Milei se posicionou a favor da pressão externa, evidenciando divergências entre Brasília e Buenos Aires sobre a Venezuela.
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