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Civis em Mianmar enfrentam cortes no Starlink

Starlink corta internet em áreas de Myanmar, deixando civis sem informações vitais e agravando ataques, escassez de serviços e o controle da junta

A shop owner sells solar panels in Yangon, Myanmar, on Dec. 29, 2025.
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  • Civis em Sagaing usam Starlink para avisos de ataques, permitindo alertas rápidos por meio de alto-falantes sem internet.
  • Mais de 7 mil civis foram mortos desde o golpe de 2021, com internet restrita em áreas de conflito e estimados 131 distritos totalmente ou parcialmente bloqueados.
  • A internet é crucial para escolas, hospitais, mídia e grupos de resistência; muitos dependem do Starlink para contornar censura.
  • A SpaceX cortou serviços de milhares de dispositivos após surgirem centros de golpes perto da fronteira com a Tailândia; ataques e golpes continuam registrados na região.
  • Há preocupação de que novas restrições ao Starlink prejudiquem civis e ajudem o regime, apesar de o serviço ainda operar em várias regiões do país.

Civis de Myanmar sofrem consequências de cortes no Starlink, serviço de internet via satélite usado para comunicação em áreas de conflito. A limitação afeta escolas, hospitais, organizações humanitárias e redes de resistência, que dependem da conexão para coordenar ações. A disputa pela internet intensifica-se em regiões com presença militar e combate constante.

O caso ganha contornos ao relatar que, em Sagaing, região central, civis utilizam o Starlink como alternativa para contornar bloqueios de internet impostos pelo memset militar. Pequenas redes comunitárias conectam-se a alto-falantes sem internet para transmitir alertas de segurança em aldeias. Mesmo com restrições, o serviço permanece ativo em parte do país, segundo relatos locais.

Em contexto mais amplo, a ONG Armed Conflict Location and Event Data aponta recordes de ataques aéreos e drones em 2025, com grande concentração em Sagaing. Entre os episódios, houve mortes em escola e ataques a protestos, aumentando a vulnerabilidade de civis que dependem da informação para se manter seguros.

Bee Kyal, defensora da comunicação via Starlink, descreve como a rede facilita o aviso prévio em rondas de observação de aeronaves. Um morador local, sob condição de anonimato, afirmou que sem esse sistema de alerta, mais pessoas poderiam perder as vidas.

Paralelamente, o uso de Starlink para fins ilícitos expôs o lado sombrio da tecnologia. Centros de golpes na fronteira com a Tailândia migraram para a internet por satélite em 2023, operando com redes criminosas que utilizam tráfico de pessoas, trabalho forçado e tortura. A SpaceX informou ter desativado milhares de unidades em Myanmar, medida associada a investigações sobre uso fraudulento.

O impacto humano dessas decisões beneficia o aparato militar ao dificultar a divulgação de abusos. Em Kayah, estado onde fica o Spring Health Hospital, a suspensão do serviço complicou consultas com especialistas. O hospital subsidia atendimento a deslocados e operações básicas, contando com o Starlink para coordenação com outros profissionais de saúde.

Porta-vozes do setor tecnológico destacam a necessidade de responsabilização das empresas por impactos humanos em zonas de conflito, mesmo quando a medida resolve problemas de fraude. Ainda não há respostas oficiais sobre revisões adicionais do serviço. A ausência de declarações oficiais mantém o tema em vigilância e debate público.

Enquanto a eleição prevista pelo regime se aproxima, especialistas observam que cortes amplos de conectividade podem favorecer a atuação militar ao reduzir a circulação de informações. O Starlink permanece disponível em partes centrais do país, mas o equilíbrio entre segurança e direitos civis continua em aberto, com civis atentos aos desdobramentos.

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