- Delcy Rodríguez, presidenta interina da Venezuela, e María Corina Machado, oposicionista, disputam o favor de Donald Trump para conduzir a transição no país.
- Machado participa de um almoço de trabalho na Casa Branca, enquanto Félix Plasencia, diplomata de confiança de Rodríguez, atua para manter canais com o governo americano; houve até uma ligação entre Trump e Rodríguez, considerada “excelente” pelos chavistas.
- O assoalho de apoio a Machado incluiu o aval de Marco Rubio, mas a Casa Branca sinalizou que a liderança de Machado não é viável a curto prazo; Trump disse que seria difícil ela liderar o país sem amplo apoio.
- Uma avaliação da CIA indicou que nomear Machado poderia alimentar um desfecho militar, contribuindo para desincentivar sua nomeação; aconselhamentos de Richard Grenell também influenciaram a decisão.
- Delcy Rodríguez negocia com a administração norte-americana temas como venda de petróleo, liberação gradual de presos políticos e reabertura da embaixada dos Estados Unidos em Caracas, episódios que ocorrem em meio a tensões entre o chavismo e a oposição.
Delcy Rodríguez, presidenta interina da Venezuela, e María Corina Machado, principal oposicionista, disputam a atenção de Donald Trump para influenciar a transição venezuelana. A audiência da Casa Branca com Rodríguez ocorreu enquanto Machado planejava um almoço de trabalho na agenda oficial.
O governo americano confirmou uma ligação entre Trump e Rodríguez logo após o contato entre a chanceler venezuelana Félix Plasencia e Washington. O diplomata, próximo ao chavismo, descreveu a conversa como excelente e cortês, segundo fontes próximas ao governo venezuelano.
Machado, que aspira suceder Rodríguez, afirmou estar pronta para liderar a transição caso haja sinalização de apoio. O clima político avancou rapidamente após o telefonema, com o presidente americano mantendo postura cautelosa sobre a possibilidade de mudanças de liderança no curto prazo.
Contexto político
A Casa Branca aponta fatores que pesam na decisão sobre quem representa a oposição. Um relatório da CIA: evitar indicar Machado de imediato por riscos de instabilidade militar, o que sensibiliza a decisão entre os assessores de Trump. Ainda, conselheiro Richard Grenell tem influência na avaliação.
Rodríguez segura a posição ao buscar equilibrar favoráveis ao governo e ao diálogo com Washington. Entre as ações em discussão estão contratos de venda de petróleo, libertação gradual de presos e a reabertura da embaixada dos EUA em Caracas. A influência de aliados internos é forte.
A leitura de analistas aponta dilemas: sem apoio amplo dentro do país, qualquer transição enfrenta resistência de facções do chavismo, lideradas por figuras como Diosdado Cabello. A estratégia inclui manter cooperação com Washington enquanto atende demandas internas.
Machado pretende manter o protagonismo, inclusive oferecendo uma possível premiação simbólica a Trump, como gesto político. Autoridades venezuelanas ressaltam que a negociação com a Casa Branca envolve complexidades de soberania e de controle institucional.
Outras vozes destacam que o chavismo vê avanços na relação com o governo norte-americano, mas mantém cautela quanto à real influência externa. A opinião de opositores sem alinhamento formal com Machado diverge sobre caminhos para a transição.
A oposição mantém pressão para ampliar o espaço democrático, com debates sobre como estruturar o processo eleitoral e garantir a estabilidade social. O tema de transição permanece central no espectro político venezuelano.
Antonio Ecarri, figura da oposição, defende unidade entre vozes internas e externas para avançar. Ele enfatiza que eleições devem ocorrer dentro de um desenho constitucional estável, com participação ampla e respeito aos direitos.
Machado e seus apoiadores entendem que a liderança do chavismo torna inviável uma transição sem garantias. Grupos empresariais pedidos por investidores externos pedem maior segurança jurídica e previsibilidade para o país.
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