- O secretário-geral da ONU, António Guterres, alerta sobre forças poderosas que ameaçam a cooperação global, em discurso para marcar o 80º aniversário da organização.
- O pronunciamento ocorreu em Londres, no local onde, há oito décadas, ocorreu a sessão inaugural da Assembleia Geral com delegações de 51 países.
- Guterres destaca ameaças atuais como a crise climática e o uso de cyberspace, além de um possível novo ciclo de corrida armamentista.
- Segundo ele, no ano anterior o gasto militar global atingiu $2,7 trilhões, volume que supera várias grandes parcelas da economia do Reino Unido e de seus programas de ajuda.
- O chefe da ONU, que deve deixar o cargo no fim de 2026, pede reformas para tornar a organização mais ágil, coordenada e responsiva, diante de cortes de financiamento dos Estados Unidos e da necessidade de sustentar missões de paz.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu sobre forças que podem minar a cooperação global. O discurso aconteceu em Londres, no Methodist Central Hall, para marcar o 80º aniversário da primeira grande reunião da ONU.
Guterres afirmou que o planeta enfrenta ameaças que eram impensáveis na década de 1940, citando a crise climática e riscos no cyberspace. O chefe da ONU evitou apontar países específicos, mantendo o foco na responsabilidade coletiva.
O executivo destacou um aumento recorde nos gastos militares, em 2024, de cerca de 2,7 trilhões de dólares, apontando para desvio de recursos em detrimento da ajuda ao desenvolvimento. Ele associou esse dado a impactos sobre políticas públicas e democracia online.
O discurso ocorre em meio a dificuldades de financiamento da ONU, agravadas pela decisão dos Estados Unidos de reduzir significativamente sua contribuição. O país confirmou cerca de 2 bilhões de dólares para assistência humanitária, parcela menor que a anterior.
Contexto e impactos
Analistas ressaltam que a redução de recursos pode reduzir a atuação de missões de paz e comprometer programas de cooperação internacional. A ONU alerta para um sistema de ajuda global menos eficiente diante de cortes e condições impostas aos receptores.
Guterres afirmou que reformas visam tornar a ONU mais ágil, coordenada e responsiva. A expectativa é manter o multilateralismo como eixo central apesar dos blocos políticos e das dificuldades orçamentárias.
A agenda do secretário-geral também frisa a continuidade de esforços para fortalecer a lei internacional e o papel das instituições globais frente a desafios como mudanças climáticas, desigualdade e desinformação.
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