- Mercosul e União Europeia assinam, em Assunção, Paraguai, um dos maiores acordos de livre comércio após mais de duas décadas de negociações.
- O pacto cria um mercado integrado de 780 milhões de consumidores, com eliminação gradual de tarifas sobre produtos agrícolas e redução de impostos sobre carros e máquinas.
- A assinatura foi feita pela presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo chefe do Conselho Europeu, Antonio Costa, ainda sujeito à aprovação do Parlamento Europeu.
- Economias projetam ganhos: up to 0,7% para o Mercosul até 2040 e até 0,1% para a Europa em quinze anos; o acordo ocorre em meio a interesse renovado dos EUA na região.
- O acordo quase foi desfeito no fim do ano passado por resistência de França e Itália; medidas de salvaguarda para agricultores ajudaram a chegar à assinatura, com negociação de um acordo separado sobre metais críticos entre União Europeia e Brasil.
O Mercosul e a União Europeia assinaram um acordo de livre comércio, após cerca de 25 anos de negociações. A assinatura ocorreu em Assunção, no Paraguai, neste sábado (17), com a presença de Ursula von der Leyen e Antonio Costa. O pacto chega semanas após a aprovação da UE pelo acordo com o bloco sul-americano formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O acordo visa criar um mercado integrado de 780 milhões de consumidores, fortalecendo a posição de parceiros diante de EUA e China. Von der Leyen destacou que o movimento conecta continentes, privilegiando comércio justo e cooperação de longo prazo. Lula participou de encontros paralelos no Rio de Janeiro, sem viagem ao Paraguai.
Participantes do encontro incluíram presidentes da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. A assinatura ocorre em meio a mudanças na atenção dos EUA para a região, com ação de segurança nacional que redefine prioridades. O pacto mantém salvaguardas para agricultores europeus e prevê a eliminação gradual de tarifas sobre vários produtos.
Impactos econômicos
Economistas apontam que o acordo pode elevar o crescimento do Mercosul em até 0,7% até 2040 e da UE em até 0,1% nesse prazo. Dados da Bloomberg Economics indicam que o comércio entre os blocos passará a cobrir boa parte da economia regional, favorecendo exportações de carnes, grãos e automóveis. Estudos citados pela imprensa destacam maior integração regional.
Dentro do acordo, a remoção de impostos sobre carros, máquinas e outros itens pode beneficiar a indústria europeia, enquanto a eliminação de tarifas agrícolas tende a favorecer produtores sul-americanos. Países europeus defendem salvaguardas para evitar impactos desproporcionais no setor rural.
A UE visa ampliar sua presença na América Latina, com o objetivo de atrair investimentos em indústria e recursos minerais para a transição verde. Em negociações paralelas, Bruxelas e Brasília estudam um acordo específico sobre metais críticos, incluindo lítio e níquel. A assinatura depende de aprovação do Parlamento Europeu.
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