- Siavash Shirzad, 38 anos, acreditou na promessa de intervenção de Donald Trump e foi às ruas; o governo fechou a internet em 8 de janeiro e ele foi baleado e morreu horas depois.
- Trump pediu aos iranianos que continuassem protestando e que o “vai chegar ajuda”, mas acabou recuando um dia depois, dizendo ter recebido garantias de que não haveria execuções.
- Mesmo com as promessas, as autoridades seguiram prendendo e reprimindo, com cobertura de confissões forçadas na televisão estatal e investigações de detidos.
- Organizações de direitos humanos alertaram para perigos de julgamentos injustos e maus-tratos em cárceres, destacando risco de execuções extrajudiciais.
- Na diaspora, muitos iranianos se sentem traídos e temem que intervenção dos EUA fortaleça o regime; alguns sahis veem sinais de que negociações com o regime podem prevalecer.
Siavash Shirzad, um filho de 38 anos, foi às ruas em Teerã após ouvir promessas de apoio de Donald Trump aos manifestantes iranianos. Ele já tinha visto protestos anteriores serem contidos com violência, mas confiou na promessa de ajuda externa pela primeira vez.
O governo estadounidense afirmou que todas as opções permanecem em aberto para interromper a violência no Irã. No entanto, no dia 8 de janeiro, o acesso à internet foi cortado no país, dificultando a captação de informações sobre as ações de segurança. Shirzad foi atingido por disparos durante um protesto e morreu horas depois.
Dias depois, houve mudanças de tom: Trump pediu que os iranianos continuassem a protestar e afirmou que a ajuda chegaria. Em seguida, o discurso mudou, com o presidente afirmando ter recebido garantias de que nenhum condenado à morte seria executado. Mesmo assim, a violência e as detenções continuaram no país.
Desdobramentos e contexto
Teerã manteve o endurecimento das ações contra manifestantes, com a mídia estatal exibindo confissões forçadas e autoridades garantindo que houve um processo de detenção. Organizações de direitos humanos alertaram para riscos de julgamentos sem garantias e condições precárias em prisões, destacando abusos que podem incluir tortura ou desaparecimentos.
A sociedade civil internacional acompanhou com expectativa e ceticismo. Mais de 30 organizações emitiram uma carta conjunta destacando os riscos de abusos contra detidos. Apesar disso, o governo iraniano suspendeu execuções em alguns casos, inclusive de um jovem de 26 anos, Erfan Soltani, notícia recebida com alívio entre parte da diaspora, mas sem cessar a preocupação com o tratamento de manifestantes.
Impacto na diáspora e nas percepções globais
Iranianos no exterior relataram sentimentos de decepção e medo diante da percepção de que o apoio prometido não se materializou. Em diferentes cidades, famílias expressaram insegurança e ceticismo sobre o papel de potências externas na crise interna, temendo que a repressão se intensifique sem resposta internacional efetiva.
A partir de relatórios de campo, observadores ressaltaram que, mesmo com redução de confrontos nas ruas, a trajetória de protestos permanece incerta. A impressão de muitos é a de que a esperança de mudança rápida foi substituída por um período de contenção, com governança interna mantendo o controle institucional e vigilância redobrada.
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