- O presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que qualquer agressão contra o líder supremo Ali Khamenei seria “guerra total” contra o Irã, em resposta ao pedido de nova liderança feito por Donald Trump.
- Pezeshkian afirmou, em postagem no Facebook, que as dificuldades do povo iraniano decorrem da hostilidade histórica e das sanções impostas pelos EUA e aliados.
- No fim de semana, Trump pediu uma nova liderança para Teerã após Khamenei chamá-lo de criminoso por apoiar os protestos antigovernamentais.
- Os protestos antigoverno, iniciados em dezembro, se espalharam pelo país e ganharam contornos de insatisfação com inflação, altas de preços de alimentos e desabastecimento.
- As autoridades cortaram internet e linhas telefônicas na véspera, e organizações de direitos humanos apontam centenas de mortes desde o início dos protestos.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse neste domingo que qualquer agressão contra o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, seria considerada uma guerra total contra o país. A declaração ocorreu após Donald Trump pedir uma nova liderança para Teerã. Pezeshkian fez a publicação em sua conta no Facebook, apontando que as dificuldades do povo iraniano derivam das sanções e da hostilidade de potências estrangeiras.
Segundo o chefe de Estado, o Irã resistiria a pressões externas sem abrir mão de sua soberania. A fala ocorre em meio a um contexto de tensões entre Irã e Estados Unidos, que intensificaram o tom após as críticas de Trump a Khamenei e ao apoio aos protestos no país.
Protestos no Irã e impactos internos
No fim de dezembro, uma onda de protestos tomava as ruas do país, inicialmente contra a inflação e o custo de vida. Com o tempo, as manifestações se espalharam e passaram a questionar o regime. A inflação elevou o preço de itens básicos, como óleo de cozinha e frango, gerando descontentamento generalizado.
A decisão de encerrar um programa cambial que oferecia dólares mais baratos para importadores agravou o cenário, elevando preços e levando lojistas a fechar portas em algumas regiões. Trabalhadores dos bazares — tradicionalmente próximos ao regime — passaram a apoiar protestos com maior engajamento.
Ações do governo e restrições de comunicação
O governo iraniano intensificou medidas para conter as mobilizações, cortando acesso à internet e a linhas telefônicas na quinta-feira anterior. Organizações de direitos humanos apontaram centenas de mortes desde o início dos protestos, elevando o temor de repressão.
Repercussões internacionais e resposta dos EUA
Trump ameaçou intervir caso as forças de segurança do Irã reajam com violência, segundo relatos da época. Já o líder supremo Ali Khamenei pediu que Trump concentre suas ações no próprio país e responsabilizou os EUA pela incitação aos protestos.
Contribuição adicional à reportagem
Este texto conta com a colaboração de Christian Sierra, da CNN, na apuração sobre os desdobramentos no Irã.
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