- Forças curdas lideradas pela SDF dizem que estão em confronto com tropas do governo sírio perto da prisão al-Aqtan, em Raqqa, onde há detentos do grupo Estado Islâmico.
- A SDF descreve a situação como extremamente perigosa, com tentativas de tomada da prisão aumentando a ameaça de instabilidade, caos e terrorismo.
- O exército sírio informou que três militares morreram e outros ficaram feridos em dois ataques, sem especificar o local.
- O acordo de cessar-fogo previa integração da administração dos presos do EI às autoridades sírias, mas há dúvidas sobre a implementação.
- A situação complica a transferência de responsabilidade sobre prisões e campos para o governo sírio, que já abriga milhares de detentos ligados ao EI em Raqqa e região.
Ações de confronto entre forças curdas e exército sírio próximo a prisão de Raqqa aumentam temores de reviravolta. A Syrian Democratic Forces (SDF), liderada pelos curdos, informou que luta com forças do governo perto da prisão de al-Aqtan, que abriga detentos ligados ao Estado Islâmico. O episódio é descrito como um desenvolvimento extremamente perigoso.
A SDF ressaltou que o nível de ameaça cresce diante de tentativas de insurgentes de alcançar a prisão e tomar o controle do local. A ameaça, segundo o grupo, pode trazer repercussões de segurança graves e abrir espaço para o retorno do caos e do terrorismo.
Aditivo de contexto indica vir de uma declaração anterior do presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, que afirmou ter selado um cessar-fogo com a SDF e que haveria esforço de desmantelar o controle do IS no nordeste do país. As negociações, porém, não impediram confrontos próximos à prisão.
Confrontos e balanço inicial
O exército sírio informou à agência Sana que três militares morreram e outros ficaram feridos em dois ataques, sem detalhar locais. O comunicado indicou que grupos terroristas buscam interromper a implementação do cessar-fogo.
Essa escalada ocorre em meio a dúvidas sobre a capacidade da SDF de manter o controle de prisões e campos que abrigam dezenas de milhares de simpatizantes do IS. Em Raqqa, duas prisões — Taameer e um centro de detenção juvenil — teriam sido esvaziadas por moradores após a tomada da cidade pelo governo.
Situação dos detidos
Grande parte dos detidos do sexo feminino está em al-Hawl, com estimativa de 26 mil pessoas, e em Roj, onde Shamima Begum está mantida. Cerca de 4,5 mil homens são mantidos na prisão Panorama ou Gweiran. Milhares de detidos são originários de mais de 70 países.
Controle e desdobramentos políticos
O acordo prevê que a administração responsável pelos detidos e pelos campos seja integrada ao governo sírio, que assumiria responsabilidade legal e de segurança. Os EUA, que apoiaram a operação contra o IS, haviam deixado a cargo das forças curdas o controle dos campos conforme o recuo militar americano.
As negociações integram um esforço para fundir a SDF a uma força nacional unificada. No entanto, a desconfiança persiste entre curdos e o governo sírio, que é visto com receio por temer perdão de redes do IS.
Repercussões e contexto internacional
Entre os detidos, estão cerca de 55 pessoas do Reino Unido, incluindo Shamima Begum. Grupos de direitos humanos, como a Reprieve, alertam para a necessidade de repatriação de cidadãos britânicos presos na Síria, ressaltando que outros países já começaram esse processo.
A situação, segundo analistas, expõe fragilidades na estrutura de governança regional e aumenta a pressão para que autoridades sírias assumam de forma clara a gestão de prisões e campos, com supervisão internacional contínua.
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