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Índia fecha campos para milhares deslocados pela violência em Manipur

Com o fechamento dos acampamentos de deslocados em Manipur, igreja planeja comprar terreno para abrigar fiéis diante de habitação precária e atraso de assistência

The relief camp in Manipur where Lamjagou Vaiphei lives with his wife, three children, and seven other families.
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  • O conflito étnico em Manipur, entre Meitei e Kukizô, deixou mais de sessenta mil deslocados e cem quilos mortos? (corrigir: 260 mortos).
  • Governo planeja fechar todos os acampamentos de deslocados até o fim do ano e oferecer casas pré-fabricadas para quem não puder retornar.
  • Mesmo com o anúncio, autoridades reconhecem que milhares ainda não poderão voltar, com estimativa de oito mil a dez mil pessoas sem lar definitivo.
  • Lamjagou Vaiphei vive em um abrigo comunitário em Churachandpur há mais de dois anos; retorno ao vilarejo permanece inseguro devido à ocupação de Meitei na área.
  • A igreja local planeja comprar 3 hectares para 80 lotes de 4.000 pés quadrados, vendendo cada um por 100 mil rúpias; recursos vêm de fiéis do sul da Índia.

O governo de Manipur planeja encerrar os campos de abrigo para deslocados causados pela violência entre comunidades Meitei e Kuki-Zo, iniciada em 2023. Milhares ainda vivem em acampamentos informais, em condições precárias, com planos de realocação em moradias pré-fabricadas.

Lamjagou Vaiphei, criador de peixe de Kangpokpi, perdeu a casa e a igreja em ataques de milícias. Ele vive há mais de dois anos em um campo comunitário em Churachandpur, a cerca de 107 quilômetros de distância, sem retorno seguro às aldeias ocupadas.

A administração estadual, sob o governo central, afirma que já reassentou cerca de 10 mil pessoas entre mais de 2 mil deslocados. Mesmo assim, dezenas de milhares permanecem em acampamentos, sem soluções de moradia efetivas para todos.

Condições nos campos e apoio

Lamjagou relata condições apertadas e sanitárias precárias no abrigo compartilhado por famílias. O grupo usa um único banheiro e uma coberta improvisada para privacidade, com pouca proteção contra intempéries.

A prefeitura substituiu a entrega de mantimentos por transferências em dinheiro de 84 rúpias por dia por pessoa. A comunidade aponta que o valor é insuficiente para alimentação e itens básicos, levando à compra de itens de menor qualidade.

Profissionais de assistência destacam problemas de higiene e superlotação. Mary Thombing, trabalhadora social, reforça que muitos banheiros são inadequados ou inexistentes, aumentando riscos para mulheres e crianças.

Planos de curto prazo e preocupações

Lalkhup Vaiphei, pastor e secretário da VBCA, coordena ações da comunidade com o objetivo de adquirir um terreno de 3 hectares para dividir em 80 lotes. Cada lote seria vendido a famílias da igreja, com parcelas de 100 mil rúpias, viáveis conforme a renda dos moradores.

Doações de cristãos do sul da Índia financiam a construção de uma igreja. Enquanto as obras avançam, a congregação continua reunida em uma igreja alugada, com atividades religiosas mantidas por voluntários e lideranças locais.

Lamjagou pretende adquirir terreno e construir uma casa, buscando emprego e apoio governamental ou de doadores. Sem retorno às plantações e ao viveiro de peixe, ele depende de oportunidades de trabalho para financiar a casa.

Contexto da crise humanitária

As ações de ressettlement ocorrem em meio a debates sobre status tribal e garantias de proteção de território. As autoridades afirmam que a prioridade é evitar novas deslocações e facilitar a reocupação, quando possível, mediante infraestrutura e apoio social.

Organizações locais alertam para a necessidade de planos de longo prazo, incluindo reconstrução de moradias, compensação e participação comunitária, para evitar novas ondas de deslocamento e aumentar a segurança dos moradores.

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