- Anders Fogh Rasmussen, ex-chefe da Otan, pede fim das bajulações a Donald Trump diante das suas ameaças sobre a Groenlândia.
- Ele afirma que a crise é da Otan e da ordem transatlântica, e que é necessário demonstrar força, firmeza e unidade para respeitar o esforço dos aliados.
- Rasmussen diz que a época de bajulação acabou e que a Europa precisa adotar uma postura mais firme frente ao presidente dos Estados Unidos.
- Ele alerta que ataques ou pressões militares contra a Groenlândia podem colocar em risco a Aliança; segundo ele, isso poderia significar o fim da Otan.
- O ex-primeiro-ministro dinamarquês vê a disputa como distração da guerra na Ucrânia e recomenda diálogo construtivo entre Estados Unidos e Groenlândia, sem ceder o território.
Anders Fogh Rasmussen, ex-chefe da OTAN, pediu fim das bajulações a Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Em declarações à AFP, afirmou que a aliança enfrenta a maior crise de sua história devido às ameaças do presidente norte-americano sobre a Groenlândia.
Rasmussen, que liderou a OTAN de 2009 a 2014, disse que a crise é também um desafio à ordem mundial desde a Segunda Guerra. Defendeu postura firme de Washington e Bruxelas diante de eventuais tarifas ou pressões de Trump.
O dinamarquês afirmou que a Europa precisa demonstrar força, firmeza e unidade, para que Trump respeite a aliança. A época da bajulação foi encerrada, segundo ele, e a resposta dos europeus deve ser firme.
Contexto e propostas
No Davos, Rasmussen comentou que a crise pode ser resolvida, e que a OTAN pode sair fortalecida na região ártica. Alertou, porém, que ações agressivas de Washington poderiam fragilizar a relação com aliados históricos.
Ele também destacou que as tensões alimentam um cenário favorável a Russia e a China, se houver afastamento entre EUA e europeus. A avaliação é de que o desgaste poderia atingir a coordenação de defesa transatlântica.
Para o ex-líder, a Groenlândia é tema que desviou a atenção da guerra na Ucrânia. A prioridade, na visão dele, deve ser o enfrentamento direto à invasão russa, sem que o debate sobre a região ocupe o centro das atenções.
Medidas e possibilidades
Rasmussen sugeriu dialogue construtivo entre EUA e Groenlândia, com atualização de acordos de mobilização de tropas de 1951. Propôs facilitar operações de empresas de mineração norte-americanas e manter a China e a Rússia afastadas da região.
Ele ressaltou que a Groenlândia não está à venda, e que, mesmo diante de pressões, não deve ceder a condições que comprometam sua soberania. A posição é de defesa da autonomia do território diante de pressões exteriores.
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