- Forças lideradas pelos curdos anunciaram retirada do campo de al-Hol, no nordeste da Síria, que abriga detentos ligados ao Estado Islâmico e suas famílias.
- O governo sírio disse que assumiria o controle do campo, alegando que a SDF deixou sem guardas, o que a SDF nega ter feito em Raqqa.
- A retirada ocorre enquanto o governo sírio avança na região, ganhando território e pressionando a SDF, que perdeu Raqqa e Deir el-Zour.
- O destino de al-Hol preocupa vizinhos e a comunidade internacional, que temem caos ou fuga de detentos.
- O cessar-fogo de 14 pontos, assinado entre o presidente sírio e o líder da SDF, desmoronou, com confrontos em Kobane e Hasakeh.
O grupo liderado pelos curdos, as Forças Democráticas da Síria (SDF), anunciou a retirada do campo de detenção de Al-Hol, no nordeste da Síria, onde estão presos dezenas de milhares de detidos ligados ao ISIS. O movimento ocorre enquanto as forças do governo sírio avançam pela região. A saída foi apresentada como consequência da violência crescente e do que chamaram de falha da comunidade internacional.
Al-Hol abriga, entre outros, mulheres estrangeiras consideradas extremistas e seus familiares. O destino dessas detidas preocupa vizinhos e a comunidade internacional, que temem um possível motim ou fuga em massa. Em Al-Roj, ao norte, há menos detidas, incluindo Shamima Begum, citada como exemplo de cidadania britânica retirada, também sob controle curdo.
“O nosso deslocamento de Al-Hol e o redesenho das forças na vizinhança de cidades ao norte da Síria refletem riscos crescentes”, disse um porta-voz das Forças Democráticas da Síria. O grupo qualificou a retirada como falha da comunidade internacional.
Avanço do governo sírio e desdobramentos
O governo sírio afirmou que assumiria o controle de Al-Hol, acusando os SDF de deixar o acampamento sem guardas, o que permitiria fugas. Damascus também acusou o SDF de similar descuido em uma prisão de Raqqa, onde 120 prisioneiros teriam escapado; o SDF negou.
A retirada ocorre num contexto de avanço rápido das forças do governo no nordeste, com significativas mudanças de território em poucos dias. O SDF perdeu Raqqa e Deir ez-Zor, após desertões entre tribos que favoreceram a ofensiva governista.
Contexto militar e diplomático
O rápido avanço das forças de Damasco foi acompanhado de uma redução de áreas sob controle curdo, que vinham mantendo uma porção do território desde 2019 com apoio internacional. Um cessar-fogo de 14 pontos, assinado entre o presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, e Mazloum Abdi, da SDF, caiu no dia seguinte após divergências em Damasco.
Após a reunião, líderes curdos pediram mobilização e resistir ao avanço sírio. Imagens divulgadas pela mídia ligada ao SDF mostraram pessoas se preparando para novos confrontos. Combates e tiros foram relatados em Kobane, perto da fronteira com a Turquia, e em Hasakeh, após a entrada de forças governistas.
Perspectivas e apelos
O território perdido pela SDF é, em grande parte, de maioria árabe, com queixas históricas contra a presença kurda. A corda continua tensa em áreas fronteiriças com o Iraque e a Turquia, onde há significativa população curda. A SDF pediu apoio dos EUA, que não se manifestou até o momento.
Ilham Ahmed, líder curda, afirmou que Abdi tentou postergar a implementação do acordo de 14 pontos, o que foi rejeitado por Damasco. Ela ressaltou que, independentemente da reunião, houve desejo de encarar uma guerra e de enfrentar o que chamou de massacres.
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