- O Reino Unido planeja devolver as ilhas Cágos a Maurício, após acordo entre os dois países e aprovação parlamentar.
- As ilhas Cágos são um arquipélago no oceano Índico, cenário de base militar conjunta entre Reino Unido e Estados Unidos, especialmente em Diego Garcia.
- Maurício reivindica soberania desde 1980 e a Corte Internacional de Justiça (ICJ) afirmou em 2019 que o processo de descolonização não terminou legalmente.
- O acordo prevê soberania de Maurício, com o Reino Unido mantendo um aluguel inicial de Diego Garcia por noventa e nove anos, com opção de extensão; custo estimado em cento e um milhões de libras por ano, totalizando cerca de 3,4 bilhões de libras em valor presente.
- Donald Trump criticou o acordo em redes sociais, enquanto membros conservadores britânicos o apoiaram, chamando a operação de “surrender” e questionando os custos.
O governo britânico confirmou a negociação para devolver o arquipélago de Chagos a Maurícia, com um acordo que mantém a base militar conjunta no Diego Garcia por meio de um arrendamento de longa duração. A tratativa, que passa pela aprovação no parlamento, faz parte de um processo iniciado em 2022 e concluído em 2025 entre Londres e Port Louis.
Chagos é um conjunto de ilhas no Oceano Índico, a cerca de 5.800 milhas ao sudeste do Reino Unido. O território foi incorporado pela Grã-Bretanha em 1814, durante o Tratado de Paris, e compõe o território britânico do Oceano Índico desde 1965. O acordo prevê a devolução de soberania a Maurícia, enquanto o Reino Unido manterá um arrendamento inicial de Diego Garcia por 99 anos, com possibilidade de extensão.
A decisão foi tomada após a Declaração de que o desfecho do processo de descolonização de Maurícia não ocorreu de forma completa na sua independência de 1968, conforme a Corte Internacional de Justiça. A ICJ apontou a obrigação de encerrar a administração britânica o quanto antes, o que motivou as negociações entre os governos.
Detalhes do acordo
Maurícia passa a deter a soberania sobre as ilhas. O Reino Unido assegura a operação contínua da base conjunta com os EUA em Diego Garcia, por meio do arrendamento. Estima-se que o custo médio anual do arrendamento seja de 101 milhões de libras, em valores de 2025-26. O custo total, segundo estimativas oficiais, pode chegar a 3,4 bilhões de libras em valor presente líquido.
O acordo foi assinado em 22 de maio de 2025, em conversa entre o primeiro-ministro do Reino Unido e o premiê Maurício. Ao longo de 11 rodadas de negociação, as partes buscaram claro respaldo jurídico para evitar novos contenciosos internacionais.
Reação internacional e política
O governo dos EUA declarou que o acordo assegura a operação estável da instalação militar da dupla em Diego Garcia. Em Washington, houve avaliação de que o tratado preserva capacidades estratégicas a longo prazo.
No Reino Unido, o debate político envolveu críticas de partidos de oposição e de vereadores do partido governante, que acusaram o acordo de ser uma cedência que poderia custar bilhões. A posição de figuras públicas variou, com alguns ressaltando a importância de cumprir a justiça internacional e outros enfatizando custos e consequências políticas.
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