- Em Davos, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que a antiga ordem mundial não volta e que a nostalgia não é estratégia.
- Ele alertou que grandes potências passam a usar a integração econômica como arma, com tarifas, infraestrutura financeira e cadeias de suprimento como ferramentas de coerção.
- Carney defendeu que potências médias devem agir juntas, em vez de erguer paredes, para não ficarem à margem nas relações internacionais.
- Propôs uma “geometria variável” de alianças, formando coalizões diferentes conforme o tema, mantendo apoio à Ucrânia e ao Greenland/Denmark.
- Observou que a política externa dos Estados Unidos se tornou menos confiável, ressaltando a importância de manter instituições internacionais mesmo diante de desafios.
Mark Carney, recém-empossado primeiro-ministro do Canadá, apresentou em Davos uma visão crítica sobre o estado atual das regras internacionais. O discurso, escrito pelo próprio Carney, questionou a eficácia de um sistema pautado por normas estáveis diante de um cenário de alianças fragilizadas e de uso do poder econômico como arma.
O premiê canadense afirmou que a ordem existente não voltará e que a nostalgia não é uma estratégia. Em tom firme, ele alertou que a conformidade não garante segurança nem prosperidade, e que líderes devem agir com pragmatismo diante da realidade de instituições desafiadas.
A fala ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, diante de políticos, empresários e a imprensa. Embora não tenha citado diretamente o ex-presidente Donald Trump, Carney interrompeu a visão de que é possível gerenciar a liderança norte-americana a partir de concessões momentâneas.
Contexto e postura de Canadá
Carney descreveu o aceno de grandes potências à integração econômica como instrumento de pressão, com tarifas e infraestrutura financeira usadas como alavancas. O discurso também ressaltou o risco de o mundo se tornar fortificado, o que reduziria a cooperação e a inovação.
O premiê destacou que regiões como o Canadá devem adotar uma postura mais ambiciosa, não apenas para se adaptar, mas para buscar caminhos mais amplos de colaboração entre potências médias e grandes. A ideia é agir em coalizões diferentes conforme o tema, mantendo valores e interesses alinhados.
Estrutura das alianças e próximos passos
Carney revelou a estratégia de geometria variável, com coalizões diferentes para cada questão. Ele citou apoio contínuo à defesa da Ucrânia e reforçou o compromisso com Groenlândia e Dinamarca. O Canadá também sinalizou intenções de ampliar vínculos comerciais com Ásia e Europa.
A política externa canadense passa a privilegiar uma atuação pragmática e principiada, mantendo-se firme frente a pressões de potências dominantes e promovendo o multilateralismo como referência. Analistas veem o discurso como um marco de direção para aliados diante de mudanças globais.
Repercussões e leituras
Ex-embaixador do Canadá nas Nações Unidas afirmou que a responsabilidade pela estabilidade recai sobre as instituições que, de fato, falharam, não apenas sobre quem as construiu. O recado é manter o compromisso com regras internacionais, mesmo diante de violações.
Expert em relações internacionais ressaltou que a fala de Carney é direta ao confrontar a indisponibilidade de acomodação constante com a política de grandes potências. A mensagem ressalta a necessidade de cooperação entre países que compartilham valores democráticos.
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