- Milhares de trabalhadores, incluindo suspeitos de tráfico humano, teriam sido liberados ou fugiram de centros de golpes na Camboja nos últimos dias, em meio à pressão internacional.
- A embaixada da Indonésia em Phnom Penh informou ter recebido relatos de 1.440 nacionais liberados; também houve longas filas de cidadãos chineses na embaixada da China.
- A Amnesty International localizou vídeos e imagens que mostram fugas ou liberações em pelo menos dez compounds de golpes em Camboja; não há números oficiais.
- Autoridades têm sido criticadas pela falta de suporte aos liberados, com risco de relocation para outros centros de golpe se não houver assistência adequada.
- A pressão internacional e sanções a Chen Zhi, empresário sino-cambojano, têm sido associadas às ações recentes; o governo cambojano afirmou não tolerar atividades criminosas online e o premiê prometeu eliminar os problemas ligados a golpes cibernéticos.
Um elevado número de trabalhadores foi libertado ou conseguiu fugir de centros de golpes na Camboja, após pressão internacional para coibir a indústria bilionária de fraude online. Segundo a embaixada da Indonésia em Phnom Penh, 1.440 nacionais já tinham sido libertados, e filas de estrangeiros, incluindo chineses, foram vistas diante da embaixada da China.
A Amnistia Internacional mapeou 15 vídeos e imagens que indicam tentativas de fuga e libertações em ao menos 10 complexos de golpes no país. Não há números oficiais das libertaçōes, mas a organização estima que haja milhares de pessoas.
O papel da polícia nas libertações não está definido. Em alguns vídeos há presença policial; em outros, não é possível confirmar. O grupo também aponta risco de desamparo aos libertados, que acabam caminhando à procura de ajuda ou alcançam casas seguras.
Sem apoio adequado, há o risco de deslocamento dos trabalhadores para novos locais de golpes, repetindo padrões observados em liberações anteriores. Há relatos de pessoas sem rumo que podem acabar em outros complexes.
Contexto da indústria de golpes online
A atividade de golpes digitais ganhou dimensão na região, com estimativas da ONU de que cerca de 100 mil trabalhadores operam em centros no Camboja. Muitos são levados para trabalhar em golpes online, incluindo golpes românticos e fraudes com criptomoedas.
Analistas apontam que a pressão internacional tem sido determinante para mudanças recentes. Pesquisadores destacam que a cooperação entre países aumenta a necessidade de monitoramento contínuo para impedir a reaparição de centros de golpes.
O governo cambojano não comentou o assunto quando procurado. O primeiro-ministro Hun Manet declarou publicamente, em redes sociais, o compromisso de eliminar problemas ligados a golpes cibernéticos.
Especialistas ressaltam que o problema pode ressurgir se a pressão externa diminuir. A repressão eficaz depende de ações sustentadas contra as estruturas criminosas e de uma fiscalização robusta.
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