- Os curdos são um povo sem Estado há aproximadamente um século, vivendo principalmente em uma região montanhosa que abrange Turquia, Síria, Iraque e Irã, com língua relacionada ao persa.
- Na Síria, representam cerca de 10% da população; ganharam autogoverno em áreas curdas no norte durante a guerra, com cooperação com forças dos Estados Unidos na luta contra o ISIS, e sofreram recomposição de território após avanços do governo.
- Na Turquia, representam cerca de 20% da população; o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) travou conflito desde 1984, com mais de 40 mil mortos. O líder Abdullah Öcalan permanece preso desde 1999; processo de paz iniciado em 2025 tem enfrentado entraves.
- No Iraque, os curdos correspondem a 15%–20% da população, com autonomia do Curdistão desde a década de 1990; em 2017 houve referendo de independência que gerou retaliações de Bagdá e reajustes de poder.
- No Irã, os curdos são cerca de 10% da população e enfrentam discriminação conforme relatos de direitos humanos; há dissidência separatista baseada no Iraque e episódios de escalada contrária à ordem pública, especialmente durante protestos recentes.
A luta dos curdos por direitos e território permanece marcada por décadas de disputas entre Estados na região. O grupo étnico, sem estado próprio, se concentra em áreas montanhosas que cruzam fronteiras entre Turquia, Síria, Irã e Iraque. A busca por autonomia e reconhecimento varia conforme o país.
No centro da pauta está o histórico de exclusão e repressão. Em muitos momentos, políticas nacionais limitam a cidadania, a língua e a expressão política curdas. A agenda varia entre autonomia regional e, em alguns casos, independência.
O panorama atual envolve atores locais, regionais e internacionais. Alianças estratégicas, crises de governança e mudanças de poder moldam a autonomia curda. A situação é complexa e muda com frequência conforme interesses regionais se reconfiguram.
Síria
Cerca de 10% da população síria é curda. O governo de Bashar al-Assad negou direitos e restringiu a cidadania de muitos curdos. Em 2011, áreas do norte assumiram autogoverno sob o PYD e a milícia YPG, parte das Forças Democráticas da Síria.
A expansão do controle ocorreu com a cooperação entre YPG, sob o guarda-chuva das SDF, e EUA no combate ao Estado Islâmico. A saída de Assad em 2024 elevou a preocupação curda com o novo governo em Damasco.
O PYD tem forte influência ideológica ligada ao PKK. A partir de 2024, avanços do governo sírio pressionaram as áreas autônomas, levando a ajustes na governança local. Washington manteve proximidade com o novo governo sírio.
Turquia
Estima-se que cerca de 20% da população turca seja curda, concentrada no sudeste. O PKK iniciou um movimento armado em 1984, buscando autonomia ou Estado próprio, registrado como conflito de alta intensidade.
Mais de 40 mil pessoas teriam sido assassinadas no conflito ao longo das décadas. O líder do PKK, Abdullah Öcalan, está preso desde 1999. Em 2025, a Turquia iniciou um processo de paz com o PKK, ainda que com obstáculos.
O governo Erdogan relaxou, no passado, restrições ao uso da língua curda. A comunidade internacional classifica o PKK como organização terrorista. Militares turcos já realizaram operações no norte do Iraque e no norte da Síria contra grupos curdos.
Iraque
Os curdos representam de 15% a 20% da população e vivem principalmente na região do Curdistão do Norte. Saddam Hussein perseguiu curdos no final dos anos 1980, com ataques químicos e deslocamentos.
Após a Guerra do Golfo de 1991, partidos curdos passaram a controlar o Curdistão Iraquiano. A invasão de 2003 abriu espaço para autonomia central regulada pelo governo regional e pela partilha de receitas do petróleo.
Com a ofensiva do Estado Islâmico em 2014, curdos ampliaram território durante o colapso do poder central, inclusive tomando Kirkuk. Em 2017, houve um referendo de independência, pouco menos de apoio entre Baghdad e potências regionais, resultando na retomada de áreas disputadas.
As relações com Bagdá melhoraram desde então, embora haja tensões sobre exportação de petróleo e partilha de renda. Kirkuk permanece como ponto sensível na política regional.
Irã
Os curdos somam cerca de 10% da população, distribuídos principalmente em regiões fronteiriças. Grupos curdos separatistas operam com bases no Curdistão iraquiano, o que gera pressão diplomática entre Teerã e Bagdá.
Relatórios de direitos humanos apontam discriminação contra curdos e outras minorias, embora o governo negue perseguição oficial. Movimentos de massas ocorridos entre 2025 e 2026 aumentaram a tensão nas fronteiras do Irã.
Na prática, a situação na região envolve coordenação entre autoridades locais, governos nacionais e atores internacionais, com impactos diretos em direitos civis, cidadania e políticas dinâmicas de autonomia.
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