- Autoridades francesas do norte do país proibiram ativistas britânicos de direita de participarem da operação Overlord neste fim de semana, impedindo o grupo de viajar para a França.
- A proibição vale das 23h de sexta-feira até as 8h de segunda-feira e abrange Dunkirk, Calais, Boulogne-sur-Mer, Montreuil-sur-Mer e Lille.
- O objetivo é evitar confrontos e manter a ordem pública diante de ações consideradas xenófobas contra migrantes, amplamente divulgadas nas redes sociais.
- A operação Overlord está associada ao Raise the Colours; um dos organizadores se afastou do grupo e passou a conduzir a ação.
- Autoridades disseram que brasileiros pertencentes a esses grupos apreendidos serão devolvidos à fronteira o mais rápido possível; até sexta-feira, 931 pessoas atravessaram o canal em botes pequenos em 2026.
Na França, autoridades administrativas anunciaram uma proibição ampla dirigida a ativistas britânicos de extrema direita que planejam participar de um protesto contra migrantes, chamado Operation Overlord, que visa impedir a travessia de pedidos de asilo pelo Canal rumo ao Reino Unido. A medida foi publicada pela prefectura do Nord e do Pas-de-Calais, com vigência iniciando às 23h de sexta-feira e mantendo-se até as 8h de segunda-feira.
O objetivo é impedir que ativistas britânicos envolvidos na operação viajem para a região nordeste da França neste final de semana. A decisão reforça uma ação anterior do ministério do Interior francês que atingiu 10 indivíduos não identificados ligados ao Raise the Colours, sob a justificativa de terem realizado ações em solo francês.
Bertrand Gaume, responsável pela prefeitura do Nord, e François-Xavier Lauch, à frente do Pas-de-Calais, assinaram o decreto conjunto proibindo a reunião de membros autodeclarados dos grupos na área. A nota oficial ressalta que a presença de ativistas de direita britânicos em ações de intimidação contra migrantes e organizações humanitárias tem sido observada há meses na costa.
Segundo o comunicado, as ações são divulgadas amplamente nas redes sociais e representam uma ideologia xenófoba e anti-imigração, com risco de desordem pública. A proibição inclui as cidades de Dunkirk, Calais, Boulogne-sur-Mer, Montreuil-sur-Mer e Lille, com o objetivo de preservar a ordem pública e a segurança de todos à beira-mar.
O texto acrescenta que os serviços do Estado, especialmente as forças de segurança, irão incentivar a aplicação do decreto para proteger migrantes, muitas vezes vítimas de exploração por redes de contrabando. Em caso de abordagem policial, britânicos vinculados aos grupos deverão ser encaminhados de volta à fronteira com rapidez.
Thomas, uma figura associada ao líder de ultradireita britânico conhecido como Tommy Robinson, publicou na rede social X uma mensagem sobre atualizações para o encontro em Dover e a viagem para a França no dia 24 de janeiro, sinalizando que detalhes específicos seriam divulgados apenas no momento adequado.
A operação Overlord tem origem no Raise the Colours, grupo anti-imigração que já circulou apelos por itens como coletes balísticos, placas, lanternas potentes, câmeras térmicas, drones e rádios criptografadas para uso em ações. A mobilização ocorre em meio a debates sobre o papel de grupos britânicos na costa norte da França.
Lachlan Macrae, da Calais Food Collective, ONG que atua junto a migrantes na região, reconheceu a decisão do governo francês e afirmou que o grupo de interesses busca impedir a presença de ativistas que, segundo ele, promovem violência e discursos de ódio. A organização britânica Home Office foi contatada para comentários.
Até o momento deste ano, 931 pessoas atravessaram o Canal em pequenas embarcações, segundo dados oficiais, destacando o contexto de segurança e controle migratório que envolve a região.
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