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Por que a América Latina tem sido discreta em Davos

América Latina adota postura contida em Davos, defendendo não-alinhamento ativo e autonomia econômica diante discursos de potências

Ecuadoran President Daniel Noboa (left) and Panamanian President José Raúl Mulino attend the World Economic Forum in Davos, Switzerland, on Jan. 20.
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  • Em Davos, a América Latina reage ao discurso no Fórum Econômico Mundial, enquanto governos avaliam um espaço mais independente diante de pressões dos Estados Unidos.
  • O primeiro-ministro canadense Mark Carney pediu união de “potências médias” para defender autonomia e economias, criticando a ordem internacional liberal.
  • Países da região não tiveram discursos de ataque contundentes contra a atuação dos EUA; alguns líderes, como Milei, apoiaram políticas de Washington, enquanto outros adotam postura mais autônoma.
  • Brasil e Colômbia sinalizam independência, não enviando seus presidentes a Davos; Petro cancelou a viagem para se preparar para encontro com Biden.
  • Além de Davos, Lula escreveu no New York Times sobre ataques norte-americanos a Venezuela, e o Brasil mantém negociações com os EUA em áreas como investimentos e combate ao crime; a região acompanha crescimento próximo de dois por cento ao ano.

A participação de América Latina no Davos suscitou leituras distintas sobre a postura regional diante de um cenário global com atuação mais assertiva dos EUA. O foco esteve na reação ao discurso no World Economic Forum, em Davos, e no debate sobre autonomia versus alinhamento com potências externas.

Carney, premiê canadense, teve fala valorizada por abrir o tema da atuação de países médios em defesa de princípios, autonomia e economia própria. O texto, porém, contrapôs criticamente o que ele chamou de ordem liberal internacional, convidando à reflexão sobre o papel regional.

O tom gerou dividedores de opinião na região. Lideranças conservadoras apoiaram políticas associadas aos EUA, enquanto governos como Colômbia e Brasil adotaram postura mais independente, sem enviar seus presidentes a Davos neste ano.

Petro, da Colômbia, chegou a planejar comparecer, mas cancelou para se preparar para encontro com a Casa Branca. O governo colombiano sinalizou agenda para negociação com os EUA em áreas estratégicas, como investimentos e segurança.

Lula, no entanto, expressou críticas à intervenção internacional em artigo no New York Times, ao classificar ataques à Venezuela como episódio nocivo ao direito internacional. Ao mesmo tempo, o Brasil afirmou manter diálogo com Washington em temas de investimento e combate ao crime.

Em termos de impacto regional, parte das autoridades divulgou o discurso de Carney nas redes sociais, enquanto a imprensa regional acompanhou avaliações de que o tema da não-alinhamento ativo é uma agenda antiga na América Latina.

No âmbito econômico, especialistas destacam que o crescimento regional permanece em torno de 2% ao ano, nível considerado baixo. Davos abriu espaço para debater estratégias para romper esse teto, com participação de autoridades de Chile e México e interesse em atrair investimentos.

Entre os pontos de mudança, houve ênfase na necessidade de manter autonomia frente a potências globais e ampliar cooperações regionais. A presença de representantes latino-americanos em Davos reforçou a busca por atrair capitais e projetos, sem aderir a hegemonias.

A cobertura mostrou ainda que, apesar de divergências políticas internas, há alinhamento em buscar agenda de desenvolvimento baseada em comércio, investimento e cooperação regional, com foco em estabilidade macroeconômica e governança responsável.

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