- Cerca de setenta anos após a execução, autoridades declararam a inocência de Tommy Lee Walker no assassinato de Venice Parker, em Dallas, Texas.
- Walker foi executado em maio de 1956 pelo estupro e homicídio de Parker, uma funcionária de loja de 31 anos.
- A análise conduzida pela Promotoria, com apoio do Innocence Project e do Civil Rights and Restorative Justice Project, apontou problemas no caso, incluindo declarações de um policial de que Parker teria identificado o agresor como homem preto, o que testemunhas negaram.
- Walker, então com 19 anos, foi preso meses após o crime após interrogatórios ameaçadores realizados pelo capitão Will Fritz, que foi membro do Ku Klux Klan; ele disse ter confessado por medo pela própria vida.
- A condenação ocorreu diante de um júri composto apenas por brancos; advogados apresentaram testemunhas que atestaram álibi, mas o material não pesou na decisão. A reunião dos comissionados de Dallas aprovou, de forma simbólica, uma resolução reconhecendo a condenação e execução injustas.
Dois terços de século após a execução, em Dallas, o caso de Tommy Lee Walker é reavaliado. A revisão aponta que a condenação do homem negro foi baseada em evidências falsas e em viés racial, levando a uma declaração de inocência quase 70 anos depois. Walker foi executado em 1956 pela suposto estupro e assassinato de Venice Parker, uma balconista de 31 anos.
O relatório, conduzido pelo escritório do procurador distrital de Dallas com apoio do Innocence Project e do Civil Rights and Restorative Justice Project, aponta problemas com relatos de um policial de Dallas que afirmou que Parker reconheceria o agressor como homem negro. Diversas testemunhas negaram esse reconhecimento, segundo o documento apresentado.
Contexto histórico e evidências questionadas
Na época, centenas de homens negros foram detidos após o assassinato, e Walker, com 19 anos na época, foi preso quatro meses depois. Segundo o procurador John Creuzot, Walker foi submetido a interrogatórios ameaçadores por um capitão da polícia de Dallas ligado ao Ku Klux Klan, o que influenciou o depoimento do réu.
Walker alegou confissão sob medo pela própria vida, e a defesa apresentou testemunhas que afirmaram que ele estava com sua namorada em outros locais na época do crime, conforme o Innocence Project. Na época, o júri era majoritariamente branco, o que marcou o veredito com um peso de preconceito institucional, conforme o relatório.
Repercussões e próximos passos
A reunião realizada pelos comissários do condado de Dallas levou à adoção de uma resolução simbólica, reconhecendo a condenação como injusta e a execução como um erro grave. O filho de Walker, agora com 72 anos, e o filho da vítima participaram do encontro, emocionados e reconhecendo a injustiça histórica.
A equipe que conduziu a apuração enfatizou a necessidade de prevenir novas condenações injustas por meio de escrutínio rigoroso de evidências e de práticas forenses, especialmente em contextos de discriminação racial. A resolução, aprovada por unanimidade, reforça o reconhecimento público do erro.
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