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Trump gera indignação ao alegar que OTAN evitou linha de frente no Afeganistão

Indignação no Reino Unido após Trump afirmar que tropas da OTAN não ficaram na linha de frente no Afeganistão, gerando condenação de parlamentares e veteranos

British soldiers in Helmand province, Afghanistan, in 2007.
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  • Donald Trump afirmou, em entrevista à Fox News, que tropas da Otan permaneceram “um pouco atrás” da linha de frente no Afeganistão e que, se solicitado, não as apoiariam plenamente.
  • MPs britânicos e veteranos condenaram as declarações, dizendo que não correspondem à realidade vivida por quem serviu no Afeganistão e destacando as perdas britânicas no conflito.
  • Ao longo de vinte anos de guerra, morreram 3.486 soldados da Otan, sendo 2.461 dos Estados Unidos; o Canadá registrou 165 mortes, e a Grã-Bretanha teve 457 óbitos.
  • Críticos lembraram que Trump evitou o serviço militar no Vietnã, por supostos espinhos nos calcanhares, o que gerou diversas controvérsias sobre suas declarações.
  • Parlamentares britânicos e comitês de defesa classificaram as palavras do presidente como ofensivas e um insulto às famílias de militares mortos, reforçando o apoio contínuo à cooperação com a Otan.

Donald Trump gerou indignação entre membros do Parlamento britânico e veteranos ao afirmar que tropas da Otan ficaram longe do frontline no Afeganistão. Em entrevista à Fox News, o presidente dos EUA reforçou a ideia de que a Otan não apoiaria os EUA se fosse acionada.

A declaração repercutiu com críticas de diferentes espectros políticos, que lembraram as 457 mortes britânicas no Afeganistão e o histórico de o próprio Trump ter evitado o serviço militar no Vietnã. Ao todo, 3.486 militares da Otan morreram no conflito de 20 anos, com a maioria dos óbitos norte-americanos (2.461). O Canadá registrou 165 mortes, incluindo civis, e a Dinamarca, envolvida em disputas com os EUA sobre a Groenlândia, teve 44 mortes em combate, a maior taxa per capita fora dos EUA.

Na entrevista, Trump afirmou que não houve necessidade de participação maior da Otan no Afeganistão, sugerindo que alguns contingentes ficaram um pouco afastados do frontline. A fala provocou reação imediata entre parlamentares britânicos e veteranos, que destacaram o sacrifício de soldados aliados na operação.

Calvin Bailey, deputado trabalhista e ex-oficial da RAF que atuou ao lado de unidades especiais americanas no Afeganistão, disse que a alegação não condiz com a realidade vivida pelos que serviram. O conservador Ben Obese-Jecty, que atuou como capitão no regimento Royal Yorkshire, considerou triste que o país reconhecido por seus sacrifícios tenha sido desvalorizado.

Tan Dhesi, presidente do comitê de defesa da Câmara dos Comuns, classificou as declarações como chocantes e uma ofensa aos militares britânicos que contribuíram para a aliança. A presidente do comitê de assuntos estrangeiros, Emily Thornberry, descreveu o comentário como muito mais que um erro e uma ofensa às famílias dos falecidos.

Anteriormente, Trump já enfrentou críticas por evitar o serviço durante a guerra do Vietnã, alegando enferma doença óssea nos pés, uma justificativa que ganhou ceticismo público. Na visão de Stephen Stewart, veterano, autor e jornalista, as observações do presidente são consideradas ofensivas e imprecisas, além de desrespeitosas com familiares de soldados que perderam a vida no Afeganistão.

O líder liberal-democrata Ed Davey reagiu em rede social lembrando as cinco tentativas de alistamento de Trump. Bailey lembrou aos soldados dos EUA que lutaram ao lado de aliados com base em um compromisso comum de defesa da liberdade e dos direitos humanos, após os ataques de 11 de setembro.

O Afeganistão continua marcado pela atuação da Otan, da qual os EUA são o único país a invocar o artigo 5º de defesa coletiva após os ataques de 11 de setembro de 2001, conforme o registro histórico da aliança.

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