- Um vídeo vazado mostra Delcy Rodríguez, líder interina, alegando que, após a captura de Nicolás Maduro, influencers foram informados de uma ameaça dos EUA para matá-los caso não cooperassem.
- A reunião ocorreu sete dias após o ataque dos Estados Unidos e envolveu ministros e aliados próximos, incluindo Freddy Ñáñez, que pediu cautela com boatos.
- Rodríguez afirmou que as ameaças e o “extorsão” eram constantes e citou três objetivos: preservar a paz, resgatar prisioneiros e manter o poder político.
- Ela descreveu que, ao serem capturados Maduro e a primeira-dama, receberam quinze minutos para decidir cumprir as exigências dos EUA ou enfrentariam mortes.
- Analistas veem a gravação como possível tentativa de manter o apoio interno, enquanto o regime busca manter o controle da narrativa e manter relação com Washington.
O vídeo vazado mostra um esforço claro do regime venezuelano para controlar a narrativa após a captura de Nicolás Maduro. A instância de poder apresenta Delcy Rodríguez, atual presidentA interina, em meio a influencers alinhados, relatando supostas ameaças dos EUA para forçar cooperação após a operação de fins de semana.
Rodríguez, que assumiu o cargo após a ofensiva americana, aparece em chamada de conferência com o ministro das comunicações e outros membros do gabinete. Ela afirma ter recebido um prazo de 15 minutos para decidir se aceitariam as exigências norte-americanas, sob a ameaça de agressão física.
Segundo o relato, a reunião teve duração de quase duas horas e ocorreu sete dias após a ofensiva. Parte dos participantes comparecia presencialmente, enquanto outros se conectaram online. A gravação, publicada por um coletivo local de jornalismo, oferece visão incomum sobre o funcionamento do regime chavista.
Contexto e desdobramentos
Freddy Ñáñez, então ministro da Comunicação, defende Rodríguez durante a chamada, alega ataques de desinformação e pressiona para manter a coesão do grupo, destacando a figura como garantia para recuperar Maduro e manter o movimento unido. A fala de Rodríguez cita ameaça de morte como condição para responder ao que considera coordenação externa.
A mensagem de Rodríguez descreve que, no início, tropas americanas teriam informado que Maduro e a primeira-dama teriam sido assassinados, não simplesmente capturados, levando a uma resposta de lealdade entre ela, o irmão do presidente interino e o ministro do Interior. Ela aponta três objetivos: preservar a paz, resgatar reféns e manter o poder político.
O registro indica que o encontro ocorreu por meio de videoconferência, com a maior parte dos influenciadores presentes no local e alguns conectados remotamente. Autoridades americanas não comentaram o conteúdo da gravação nem as alegações feitas.
Repercussões políticas
Após o vazamento, Ñáñez foi promovido a ministro do Ambiente. Em seguida, um novo líder do gabinete lançou uma iniciativa de defesa da “verdade” nas redes, vista como forma de manter o controle da narrativa apesar de mudanças administrativas. Analistas divergem sobre a veracidade de rumores de ameaças de morte.
Especialistas ouvidos ressaltam a dificuldade de verificar a autenticidade da alegação de ameaça de morte. Questiona-se se a narrativa pretende fortalecer a base interna ou encorajar cooperação com Washington. Observadores destacam que o regime continua sob pressão interna, com prisões políticas e sem calendário eleitoral definido.
A orientação estratégica do governo venezuelano, segundo a análise de especialistas, sugere que o objetivo é manter a sobrevivência do poder enquanto negocia condições com os EUA. Em meio ao contexto, a liderança chavista mantém retórica agressiva contra o país, aliada a uma cooperação tática com Washington.
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