- Donald Trump lançou a Board of Peace (Conselho da Paz) no Fórum Econômico Mundial em Davos, ampliando o mandato para além de Gaza e debitando uma visão de paz e segurança globais.
- O conselho tem Trump como chair executivo vitalício, com poder de veto e a possibilidade de adesão em dois níveis, incluindo um assento permanente por 1 bilhão de dólares.
- Aproximadamente sessenta países foram convidados; cerca de vinte e cinco aderiram, entre eles Indonésia, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Turquia e Qatar, além de alguns europeus; Brasil não participou.
- A reação entre BRICS foi contida; membros e aliados facilitaram o projeto de forma discreta, e o presidente Lula criticou a iniciativa, chamando-a de tentativa de criar um “novo ONU” sob domínio de Trump.
- A Resolução 2803 da ONU, aprovada com apoio de várias nações, autorizou Trump a coordenar Gaza e ações correlatas, sinalizando uma flexibilização da autoridade do Conselho de Segurança frente a um eventual alcance global.
O presidente dos EUA, Donald Trump, lançou o Board of Peace durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, na semana passada. O objetivo inicial era promover paz e reconstrução em Gaza, após o ataque de outubro de 2023, com mandatos ampliados para abranger segurança global. O movimento tem sido visto como audacioso, ainda que alvo de críticas.
A iniciativa ganhou impulso após a resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, que autorizou Trump a liderar o conselho pessoalmente. Agora, Trump ampliou o mandato para além de Gaza, criando a expectativa de um mecanismo rival à ONU. Críticos veem risco de enfraquecer o Conselho de Segurança.
O formato prevê um presidente vitalício com poder de veto sobre políticas do board e um sistema de adesão em níveis. A filiação normal dura três anos; uma vaga permanente pode custar US$ 1 bilhão. O lançamento ocorreu com cerca de 60 países convidados, dos quais aproximadamente 25 assinaram.
Participação internacional e reações
Entre os signatários, estão Indonésia, Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Turquia, Paquistão, Catar e Emirados Árabes Unidos. Também houve adesão de Hungria, Bulgária e Bielorrússia, além de Argentina, que compareceu a Davos. África do Sul não foi convidada inicialmente.
Lula rejeitou o convite, chamando a iniciativa de tentativa de criar uma “ONU” sob domínio de Trump. China afirmou que defenderá o sistema internacional com a ONU no centro, em tom moderado. Índia não confirmou nem recusou o convite, preocupada com possíveis alvos do movimento.
Putin sinalizou interesse cauteloso, oferecendo estudar a proposta e sugerindo a possibilidade de aportar recursos, mas sem indicando entusiasmo claro. Bielorrússia participou, e Vietnã também integrou a lista, em sinal de alinhamento estratégico variável.
Contexto regional e envio de leituras
No leste e no comércio, aliados dos EUA como Japão, Coreia do Sul e Austrália permaneceram em posição de observação. Indonésia defendeu o envolvimento para facilitar a ajuda em Gaza, revelando uma mudança pragmática nas posições históricas do país.
Um comunicado de setembro de 2025, assinado por potências como Arábia Saudita, Turquia, Emirados, Egito, Jordânia, Qatar e Paquistão, indicou apoio à liderança de Trump para buscar paz. Tal declaração facilitou a aprovação da resolução 2803 pelo Conselho de Segurança.
Implicações e leitura institucional
A resolução foi aprovada por maioria, com Rússia e China abstendo-se, e com Reino Unido e França votando a favor. Embora haja expectativa de que o Conselho de Segurança possa perder parte de sua autoridade, o board recebe apoio de Estados não permanentes e de nações em desenvolvimento.
Especialistas destacam que o movimento expõe fragilidades da ordem liderada pela multipolaridade. A BRICS, há pouco celebrada como contrapeso, não conseguiu impedir adesões de membros ao projeto de Trump, revelando divergências e vulnerabilidades entre os integrantes.
O destino do Board of Peace depende do desenrolar político de Trump e da durabilidade de seu impacto nas políticas externas dos EUA. Indícios apontam para uma mudança relevante na dinâmica entre hegemonia, direito internacional e cooperação multilateral.
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