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Conselho da Paz de Trump rompe a barreira dos BRICS

Davos expõe fragilidade do BRICS diante do Conselho da Paz de Trump, cuja expansão global pode reconfigurar a ordem internacional e desafiar a ONU

Paraguayan President Santiago Peña, U.S. President Donald Trump, and Qatari Prime Minister Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani participate in the signing ceremony of the Board of Peace in Davos, Switzerland on Jan. 22.
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  • Donald Trump lançou a Board of Peace (Conselho da Paz) no Fórum Econômico Mundial em Davos, ampliando o mandato para além de Gaza e debitando uma visão de paz e segurança globais.
  • O conselho tem Trump como chair executivo vitalício, com poder de veto e a possibilidade de adesão em dois níveis, incluindo um assento permanente por 1 bilhão de dólares.
  • Aproximadamente sessenta países foram convidados; cerca de vinte e cinco aderiram, entre eles Indonésia, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Turquia e Qatar, além de alguns europeus; Brasil não participou.
  • A reação entre BRICS foi contida; membros e aliados facilitaram o projeto de forma discreta, e o presidente Lula criticou a iniciativa, chamando-a de tentativa de criar um “novo ONU” sob domínio de Trump.
  • A Resolução 2803 da ONU, aprovada com apoio de várias nações, autorizou Trump a coordenar Gaza e ações correlatas, sinalizando uma flexibilização da autoridade do Conselho de Segurança frente a um eventual alcance global.

O presidente dos EUA, Donald Trump, lançou o Board of Peace durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, na semana passada. O objetivo inicial era promover paz e reconstrução em Gaza, após o ataque de outubro de 2023, com mandatos ampliados para abranger segurança global. O movimento tem sido visto como audacioso, ainda que alvo de críticas.

A iniciativa ganhou impulso após a resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, que autorizou Trump a liderar o conselho pessoalmente. Agora, Trump ampliou o mandato para além de Gaza, criando a expectativa de um mecanismo rival à ONU. Críticos veem risco de enfraquecer o Conselho de Segurança.

O formato prevê um presidente vitalício com poder de veto sobre políticas do board e um sistema de adesão em níveis. A filiação normal dura três anos; uma vaga permanente pode custar US$ 1 bilhão. O lançamento ocorreu com cerca de 60 países convidados, dos quais aproximadamente 25 assinaram.

Participação internacional e reações

Entre os signatários, estão Indonésia, Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Turquia, Paquistão, Catar e Emirados Árabes Unidos. Também houve adesão de Hungria, Bulgária e Bielorrússia, além de Argentina, que compareceu a Davos. África do Sul não foi convidada inicialmente.

Lula rejeitou o convite, chamando a iniciativa de tentativa de criar uma “ONU” sob domínio de Trump. China afirmou que defenderá o sistema internacional com a ONU no centro, em tom moderado. Índia não confirmou nem recusou o convite, preocupada com possíveis alvos do movimento.

Putin sinalizou interesse cauteloso, oferecendo estudar a proposta e sugerindo a possibilidade de aportar recursos, mas sem indicando entusiasmo claro. Bielorrússia participou, e Vietnã também integrou a lista, em sinal de alinhamento estratégico variável.

Contexto regional e envio de leituras

No leste e no comércio, aliados dos EUA como Japão, Coreia do Sul e Austrália permaneceram em posição de observação. Indonésia defendeu o envolvimento para facilitar a ajuda em Gaza, revelando uma mudança pragmática nas posições históricas do país.

Um comunicado de setembro de 2025, assinado por potências como Arábia Saudita, Turquia, Emirados, Egito, Jordânia, Qatar e Paquistão, indicou apoio à liderança de Trump para buscar paz. Tal declaração facilitou a aprovação da resolução 2803 pelo Conselho de Segurança.

Implicações e leitura institucional

A resolução foi aprovada por maioria, com Rússia e China abstendo-se, e com Reino Unido e França votando a favor. Embora haja expectativa de que o Conselho de Segurança possa perder parte de sua autoridade, o board recebe apoio de Estados não permanentes e de nações em desenvolvimento.

Especialistas destacam que o movimento expõe fragilidades da ordem liderada pela multipolaridade. A BRICS, há pouco celebrada como contrapeso, não conseguiu impedir adesões de membros ao projeto de Trump, revelando divergências e vulnerabilidades entre os integrantes.

O destino do Board of Peace depende do desenrolar político de Trump e da durabilidade de seu impacto nas políticas externas dos EUA. Indícios apontam para uma mudança relevante na dinâmica entre hegemonia, direito internacional e cooperação multilateral.

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