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Hamas afirma estar disposto a transferir o governo de Gaza

Hamas afirma que o governo de Gaza pode ser transferido a um comitê tecnocrático e exige abertura plena de Rafah, sob supervisão do Conselho da Paz

A Faixa de Gaza em 3 de janeiro de 2026. Foto: Omar AL-QATTAA / AFP
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  • Hamas afirmou à AFP que está preparado para transferir o governo de Gaza para um comitê tecnocrático palestino, condicionando a reabertura da passagem de Rafah.
  • O Comitê Nacional para a Administração de Gaza, composto por quinze membros, foi criado para gerir o governo de Gaza no pós-guerra, sob supervisão do Conselho da Paz, que seria chefiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
  • Hazem Qassem, porta-voz do Hamas, disse que medidas concretas foram tomadas no terreno e que todos os ministérios e órgãos, inclusive na área de segurança, podem entregar seus expedientes ao comitê.
  • O comitê, liderado pelo ex-vice-ministro da Autoridade Palestina Ali Shaath, deve entrar em Gaza assim que a passagem de Rafah for reaberta; a fronteira permanece fechada desde maio de 2024, com reabertura limitada no começo de 2025.
  • O Hamas defende que Rafah seja aberta em ambas as direções, com plena liberdade de saída e entrada, sem obstáculos israelenses; o acordo também prevê o desarmamento do grupo e a retirada israelense de Gaza.

O Hamas afirmou à AFP nesta quarta-feira 28 que está disposto a transferir o governo de Gaza para um comitê tecnocrático palestino. A condição é a reabertura da passagem de Rafah na fronteira com o Egito, como parte de um acordo de paz com Israel e os EUA.

O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) tem 15 membros e foi criado para gerir o governo de Gaza no pós-guerra. A administração ficará sob supervisão do Conselho da Paz, liderado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Segundo Hazem Qassem, porta-voz do Hamas, já foram tomadas medidas concretas no terreno. Ele afirmou que ministérios, órgãos e estruturas, incluindo a área de segurança, podem ser entregues ao comitê.

O porta-voz acrescentou que protocolos estão em vigor, com arquivos organizados e comitês criados para supervisionar a passagem de poderes ao comitê, garantindo a transferência integral da governança em todos os setores.

Espera-se que o comitê, chefiado pelo ex-vice-ministro Ali Shaath, entre em Gaza assim que Rafah for reaberta. A atuação dependerá da permissão de passagem entre Gaza e o Egito.

O Hamas defende que a passagem de Rafah opere em ambas as direções, com livre saída e entrada, sem impedimentos israelenses. Atualmente Rafah está fechada desde maio de 2024, com uma reabertura limitada no início de 2025.

Para o Hamas, o ponto central é que o comitê gerencie saídas e entradas com autonomia, sem imposições adicionais de Israel, conforme o acordo.

Israel se comprometeu com uma reabertura limitada de Rafah, condicionada à recuperação dos restos mortais do refém Ran Gvili, capturado em 7 de outubro de 2023. O corpo do militar foi recuperado nesta segunda-feira.

O acordo que encerra parte da guerra prevê ainda o desarmamento do Hamas e a retirada israelense de Gaza, conforme os termos do cessar-fogo mediado pelos EUA.

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