- Lula criticou a falta de integração da América Latina por questões ideológicas e pela atuação de Donald Trump, durante o Fórum Econômico da América Latina e Caribe no Panamá.
- O presidente disse que a região está mais dividida e aberta a conflitos ideológicos, o que gera retrocesso na integração.
- Ele citou o fim de acordos de integração, como a Unasul (2003 a 2014) e a Celac, afirmando que a Celac não consegue nem mesmo emitir uma declaração contra intervenções militares.
- Lula defendeu a neutralidade do Canal do Panamá, dizendo que a integração em infraestrutura não tem ideologia.
- Também pediu maior convicção das lideranças para um projeto autônomo de inserção internacional, mencionando Rotas de Integração Sul-Americana e possíveis acordos com Índia, México, Colômbia e Equador.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, criticou nesta quarta-feira a falta de integração na América Latina durante discurso na abertura do Fórum Econômico da América Latina e Caribe, na Cidade do Panamá. A fala ocorreu enquanto ele participa do evento desde ontem.
Segundo ele, a região recuou na integração por conflitos ideológicos e intervenções externas, sem mencionar nomes. Lula afirmou que o extremismo político e a manipulação da informação se tornaram rotina no cotidiano regional.
Lula também tratou da possibilidade de viajar a Washington no final de março para encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, mantendo o tom crítico aos desdobramentos geopolíticos.
Falhas históricas na integração
O presidente citou o fim de acordos de integração como a Unasul, entre 2003 e 2014, e criticou a Celac, afirmando que não conseguiu emitir uma única declaração contra intervenções militares na região.
Ele ressaltou que, num contexto global de ruptura liberal, paradigmas como panamericanismo e bolivarianismo são insuficientes e mencionou a proximidade com a maior potência militar como fator relevante.
Neutralidade de infraestrutura
Durante o discurso, Lula defendeu a neutralidade do Canal do Panamá, administrado com eficiência há quase três décadas, e ressaltou que a integração em infraestrutura não tem ideologia.
Ele pediu que lideranças regionais adotem um projeto mais autônomo de inserção internacional, levando em conta riquezas como petróleo, minerais críticos, terras raras e a floresta amazônica.
Rumo a acordos mais amplos
O petista enfatizou que a América Latina e o Caribe são únicos e precisam de opções plurais. Ele mencionou acordos já fechados, como Mercosul com Cingapura e com a União Europeia, além de ampliar negociações com Índia, México, Colômbia e Equador.
Lula apontou ainda o programa Rotas de Integração Sul-Americana como exemplo de compromisso com a integração regional, em meio a um cenário mundial de turbulências.
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