- Em 27 de janeiro, a Índia assinou um acordo de livre comércio com a União Europeia que eliminará tarifas na quase totalidade das exportações.
- No mesmo dia, foi firmado o Security and Defence Partnership, que prevê cooperação maior em segurança marítima, combate ao terrorismo e ciberdefesa.
- Analistas veem esses acordos como parte de uma resposta conjunta à distorção causada pela administração Trump nas relações entre Índia e UE.
- A Índia enfrenta necessidades de defesa crescentes, buscando diversificar fornecedores após depender bastante da Rússia nas últimas décadas.
- O acordo de defesa com a UE não prevê compras imediatas de hardware, mas aponta para ampliar opções de parceria em segurança, reforçando a busca da Índia por um polo de poder multipolar.
O governo da Índia assinou, em 27 de janeiro, dois acordos estratégicos com a União Europeia: um acordo comercial de livre comércio que eliminará tarifas sobre quase toda a nossa pauta de exportação, e um Security and Defence Partnership voltado para cooperação marítima, antiterrorismo e ciberdefesa. A dupla assinatura ocorreu em meio a negociações há duas décadas.
A imprensa destacou a dimensão econômica do acordo de comércio. No entanto, o pacote de defesa também foi revelado no mesmo dia, com foco em cooperação prática entre Bruxelas e Nova Délhi. A parceria elevará o intercâmbio técnico e operacional em áreas sensíveis à segurança regional.
Contexto de segurança regional e produção de defesa
A Índia encara tensões com Paquistão e China, o que acelera a necessidade de fortalecer capacidades militares. Historicamente dépendente da Rússia, o país vem diversificando fornecedores nos últimos 10–15 anos, para incluir Estados Unidos e países europeus, como França.
Entre 2008 e hoje, a Índia fechou acordos militares significativos com os EUA, incluindo venda de equipamentos e aeronaves Dassault Rafale da França. Nos últimos meses, negociações sobre viaturas de combate, mísseis anti-carro e aeronaves de reconhecimento foram adiadas, em parte devido a tarifas norte-americanas impostas na condução comercial.
Impacto esperado e próximos passos
O novo acordo de defesa com a UE indica interesse de Nova Délhi em ampliar opções além das parcerias existentes com Washington e Paris. A cooperação pode incluir proteção marítima, combate a ameaças cibernéticas e resposta a eventos transnacionais.
Especialistas destacam que o acordo precisa ir além de declarações e gerar ações concretas para reduzir dependências críticas. A Índia, com ambições de modernizar sua frota naval e assegurar rotas no Oceano Índico, busca diversidade de fornecedores e maior autonomia tecnológica.
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