- Alexandria vai renovar a linha de tram com quase quatorze quilômetros, substituindo os bondes por um sistema de trem leve controlado digitalmente, em dois anos.
- A renovação deve, segundo a autoridade responsável, quase dobrar a velocidade atual e reduzir o tempo total de trajeto em mais de trinta minutos, aumentando a capacidade de passageiros.
- O projeto preocupa parte dos moradores pela possível interrupção de ruas estreitas, aumento de tarifas e prazos que podem se estender além do previsto.
- O financiamento inclui dezoito milhões de euros da Agência Europeia de Infraestrutura (European Investment Bank) para um custo total estimado de quinhentos e noventa e dois milhões de euros; a agência francesa de desenvolvimento também participa.
- A linha Raml, de bonde de dois andares, é histórica para a cidade; moradores e trabalhadores temem a perda do patrimônio e do modo de vida associado ao transporte.
ALEXANDRIA, Egito — A linha de bondes de 14 quilômetros, conhecida por carruagens azul e branca, está prestes a ser interrompida. A renovação visa substituir os bondes desgastados por um sistema de trem leve controlado digitalmente, num esforço do governo sob o presidente Abdel Fattah al-Sisi.
Na prática, a obra deve começar na próxima semana, segundo a National Authority for Tunnels. A expectativa é dobrar a velocidade média e reduzir o tempo de trajeto em mais da metade, mantendo a acessibilidade para milhares de passageiros diários.
A mudança divide opiniões entre moradores. Enquanto alguns veem ganho de eficiência, outros temem interrupções pelo tráfico e eventuais aumentos de tarifas. O plano tem duração estimada de dois anos, com obras que elevam trechos da linha para contornar cruzamentos.
A linha Raml, lançada nos anos 1860, abriga ainda bondes de dois andares, raros no mundo. As passagens custam 5 libras egípcias, mantendo a linha como opção econômica para trabalhadores, estudantes e aposentados.
Especialistas urbanos ressaltam que o novo traçado priorizará velocidade e circulação de veículos, o que pode impactar a estética da cidade. A obra envolve a elevação de trechos para facilitar interseções, segundo projeções dos responsáveis pelo projeto.
Intervenções no transporte público local já geraram reflexos em outras frentes. O trecho Abu Qir, por exemplo, ficou suspenso para conversão em linha de metrô, aumentando a pressão sobre opções alternativas de deslocamento.
O projeto recebe financiamento externo: a União Europeia financia 138 milhões de euros, com custo total estimado em cerca de 592 milhões de euros. A França, por meio de agência de desenvolvimento, também participa do financiamento.
O retorno da linha antiga é visto com saudade por trabalhadores e moradores. Mahmoud Ramadan, motorista de bonde há mais de duas décadas, distingue a ligação emocional com a linha, apesar das transformações previstas.
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